segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Quem Nasceu Primeiro? O Original ou a Tradução?


Hoje aconteceu-me uma daquelas típicas de loiras...tão típicas que nunca vê-mos acontecer mas que nos habituamos a elas de as ouvir em anedotas.
Então uma cliente Loira chega-se ao balcão e enquanto eu faço a conta pergunta-me "Olhe a Isabel Allende vai lançar um novo livro, tem previsões para quando o vai receber?". Eu respondo que isso está dependente do tempo de tradução e da data de lançamento decidida pela editora, mas é então que a loira vem-me com esta: "Ahh...então o livro sai primeiro na língua original e só depois é traduzido?". É isso mesmo....ela disse isto...bem para começar uma cliente que estava na fila olha para mim e começa a rir, já eu, para não me desfazer ali também, finjo que vou apanhar um saco no chão.
Quando venho ao de cima, já refeito da gargalhada digo-lhe no tom mais sério que consegui improvisar na altura "Sim, o livro sai primeiro na língua original e só depois sai a tradução...tal como em todos os livros". Mas a cliente não satisfeita com a sua ignorância, ou querendo mesmo certificar-se da ignorância ainda repica "Então quer dizer que tenho de esperar que o livro saia lá fora na língua original e só depois é que sai a tradução?". Não não minha senhora...aliás o Dan Brown não lança o seu livro Lost Symbol em inglês enquanto ele não estiver traduzido em português, acho que ele nem dorme bem só de pensar que primeiro publica o livro na língua original e depois sim é traduzido na língua de Camões. Até porque maior parte da fortuna que ganhou até hoje foi com o grande mercado livreiro português...que faz parecer o mercado americano uma simples periferia para onde são enviados os livros que nós portugueses não gostamos.
Para finalizar (sim, não bastava isto) estão a ver estes três livros em baixo?

Todos se apercebem, além de serem numerados de 1 a 3, que a capa tem a mesma personagem feminina...e essa personagem tem a tatuagem e corte de cabelo iguais nos três livros certo? lLgo não poderia ser outra pessoa diferente em cada livro. Pronto agora imaginem esta mesma loira acabada de ver os três livros, do qual compra o primeiro, mas que ainda me pergunta "Olhe este livro já não tem continuação pois não?".
Enfim...outra ida ao chão apanhar um pseudo-saco e voltando à tona para ensinar o 2+2 à cliente!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Daniel Sampaio = Romance de Verão?


Uma cliente típica daquelas que só lêem um livro por ano, ou seja, no Verão durante as férias em plena Silly Season, repara que o livro Porque Não, de Daniel Sampaio está no top.
Para ela é o livro perfeito. Está no top, é pequeno, fino, perfeito para ler nas horas de praia. Para uma aprovação a 100%, só falta o carimbo de opinião de livreiro, que me calhou, claro está, a mim.
"Este livro é engraçado?" - pergunta-me ela
"Engraçado em que aspecto? É um Estudo/ensaio bem desenvolvido...não sei se engraçado será o mais correcto para classificar um trabalho" - respondo eu já a tirar a pinta da cliente.
A cliente fica calada porque sinceramente não percebeu patavina do que lhe acabei de dizer, para a próxima, a cliente, antes de perguntar qualquer coisa devia ler a sinopse do livro não?
Mas antes que ela se fustigasse mais continuei "Isso é um livro académico, o Daniel Silva é um psicólogo e neste trabalho defende que por vezes devemos negar coisas aos mais pequenos simplesmente por negar, não tendo de dar mais justificações aos filhos."
Esses livros não foram feitos para ser engraçados, para isso temos o Miguel Sousa Tavares ou o Cláudio Ramos (ahh...os anos que esperei para pôr estes dois no mesmo patamar), agora este livro de Daniel Sampaio é um livro académico.
Claro que a cliente não tocou mais no livro, acabou por levar O Cromossoma do Amor...e que bela escolha.

Profissão do Autor


Uma cliente pergunta-me quais os livros que eu tenho do padre Manuel Antunes. Eu faço uma pesquisa por autor e aparecem-me uma carrada de Maneis Antunes...e pergunto à cliente se ela procura algum livro em específico desse autor.
"Não Não, eu queria mesmo os livros do padre Manuel Antunes...escreva lá Padre aí" - respondeu-me a cliente.
"Se eu pesquisar por padre Manuel Antunes não vai aparecer nada porque o nosso sistema não faz essa discriminação, nem por engenheiros, doutores etc" - Respondo eu, já a sentir que vinha aí pagode.
"Então mas vocês aí no sistema não vos aparece a profissão do autor...pensava que sim" - Devolveu-me a cliente (eu não disse que vinha pagode).
Claro a nossa base de dados além do título, editora, páginas, preço e sinopse vem uma foto do autor, tal como uma biografia e a última profissão conhecida.
Lá tive de explicar que nenhuma base de dados em alguma livraria lhe vai dizer a ocupação do autor.
Enfim lá lhe disse que a obra completa tinha sido editada pela Gulbenkian e que talvez só na livraria deles encontrasse os livros.

Livros Psicográficos


Esta nova postadela é dedicada a uma nova onda de livros que cada vez mais anda a ficar na moda. E cheira-me que não vai ficar por aqui, porque é o tipo de livro que o português gosta.
Ora o caro leitor pelo título já deve ter reparado de que tipo de livros vos estou a falar.
Ora os livros psicográficos são ditados por um espírito enquanto uma médium escreve. Curto e grosso é alguém, geralmente gaja claro, entra num daqueles transes à Pomba Gira, apanha a conexão com um espírito e pimbas, este começa um recital que nunca mais acaba. E pode acabar numa coisa qualquer...a médium pode apanhar um espírito que goste de falar dele (Biografia), pode apanhar o espírito à Nicholas Sparks (romance), à Douglas Preston ou King (Policial)...enfim...dependendo do espírito pode sair uma catrefada de livros diferentes.
Mas isto suscitam-em algumas dúvidas, como por exemplo: Será que o espírito enquanto nos dita repara no que estamos a escrever fazendo reparos à caligrafia ou mesmo a erros ortográficos? Ou se a médium no seu transe apanha um espírito que não fale a sua língua? Ou todos os espíritos são poliglotas?
Bem eu fico-me por aqui porque tenho de entrar em transe para apanhar o espírito do nosso livreiro para ele nos contar das suas...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mais uma Procura de Livro às Cegas

Bem, para começar o Diabo chegou de férias, e como seria de esperar nada satisfeito com as vendas. Para tentar a recuperação a primeira medida implementada foi a de que assim que um cliente entrar além de um Bom Dia devemos perguntar se ele precisa de ajuda, tal como tentar andar sempre perto dele. Sim, não vá acontecer o cliente não chegar à última estante e nós para ajudarmos colocamos-nos de gatas no chão para servir de escadote.
Agora a sério, não acham detestável assim que entramos em qualquer loja vir logo algum dos colaboradores para andar ao nosso lado sempre a perguntar se precisamos de alguma coisa? Ou a dizer isto fica bem isto fica mal...bla bla bla?
A segunda medida foi puxar tudo o que é romance lamechas para a entrada na loja, tentando fazer manchas gigantescas de romances grotescos para chamar a atenção das pessoas. Bem, e chamar a atenção chama...mas ninguém entra naquela livraria com tamanho espalhafato de cores e arrumação de livros sem sentido.
O diabo pode perceber de almas perdidas...mas do negócio nem por isso. Digamos que a gerência do inferno lhe fica bem, não é preciso muito trabalho, apenas basta manter o sítio quente.
É claro que a diabólica estratégia de venda não funcionou e quando me estava a vir embora o número das vendas era o pior de Agosto, e por coincidência (ou não) era o primeiro dia do Diabo depois das férias.
À parte de tudo isto a única coisa digna de registo foi mais uma procura de livro pela descrição física do mesmo. Começo a achar que os brasileiros têm um sério problema com livros. Será que do outro lado do Atlântico não se pesquisa pelo título, autor ou editora? Mas sim pelo peso, espessura e tipo de papel?
Desta vez uma cliente brasileira queria "um livro fino com um olho na capa". "Mas não aquele dali, porque aquele é muito grosso", disse-me ela enquanto apontava para o Nómada.
Nem me dei ao trabalho de puxar pela cabeça para me recordar de um livro com o olho na capa...

sábado, 15 de agosto de 2009

Sr. Engenheiro


Estava eu a fazer um cartão de cliente a uma pessoa e quando chega a altura de preencher se é Sr/Sra ou Dr/Dra, em que escolho a segunda para ser simpático para com o cliente, ele interrompe e pergunta: "Olhe não tem a opção Engenheiro? É porque eu sou Engenheiro?". Aqui tirei logo a fotocópia de que tipo de cliente estamos perante, mas respondo educadamente que só temos aquelas duas opções pré-definidas, ao que o engenheiro responde "Pois...sem comentários! Então espere que eu faço o cartão em nome da minha mulher porque ela é Dra."
Ui...alto lá que nem um cartão de uma simples livraria pode estar sem a sigla de engenheiro. Será que os filhos o tratam por engenheiro papá? Ou só por engenheiro? Estou a imaginar..."Oh Sr. Engenheiro conta-me uma história para adormecer pfv..."
Pois a barraca do Sr. Engenheiro chega quando é altura de perguntar a data de nascimento da mulher...aí é que o engenheiro torceu o rabo. Mas quem melhor para ele culpar se não o pobre livreiro.
Então ele não faz mais nada...como se nada tivesse passado chama a mulher e diz "este senhor tem uma pergunta para te fazer para teres o cartão Bertrand". Eu pergunto a data de nascimento e enquanto a preencho a mulher diz ao engenheiro "então mas não podias ser tu a dar a data, foi preciso chamares-me?"
Resposta do marido "Sim...mas aqui o senhor [Eu livreiro] é que disse para te chamar que precisava do teus dados".
Neste momento lanço o olhar de livreiro furioso ao Engenheiro...mas lanço o olhar de maneira a que a mulher se aperceba, e claro que se apercebeu porque disse logo "Não te lembras é da minha data de nascimento não é?"
Ups...tenho a impressão de que o engenheiro foi caçado. Mais valia ter aceite a sigla de Dr no inicio do formulário do que agora além de ir levar alta descompustura no aconchego do lar, vai ter de arrotar um bom presente quando a sua mulher fizer anos, isto se se lembrar da data claro!

Ciganos = Assalto?


Pois é...a história que vos vou contar hoje não se passou comigo mas sim com a Sagismunda e a Josefina.
Num momento em que só elas estavam na loja entram três ciganos e um deles numa cadeira de rodas. Ora para a Sagismunda e Josefina um cigano na loja é roubalheira na certa, quanto mais três.
Acontece que um dos ciganos assim que entra saiu logo, o segundo cigano dá uma volta pela mesa e também sai logo, quanto ao cigano da cadeira de rodas entra na livraria e passado uns segundos levanta-se da cadeira e sai a dizer "milagre estou curado".
Enfim...durante este episódio bem à Quinta Dimensão, nunca nenhum dos ciganos dirigiu sequer a palavra às minhas colegas.
Quando eu chego à livraria a Sagismunda, mais do que borrada de medo, conta-me a história que acima vos contei, e no fim acrescenta "agora sempre que não estiver ninguém no balcão tiramos as chaves das caixas-registadoras para ninguém roubar, porque eu e a Josefina apanhamos hoje um grande susto."
Isso mesmo...os ciganos que apenas entraram na livraria e nunca dirigiram sequer palavra às minhas colegas, segundo elas os ciganos iam assaltar a loja. Eu depois de lhes ter chamado racistas com todas as letras...disse que elas até deviam era estar contentes porque a livraria tem poderes curativos e fez com que um cigano largasse a sua cadeira de rodas e voltasse a andar.
"Ai mas se tu visses o aspecto deles...eles iam assaltar isto" disse-me a Sagismunda quando lhe chamei racista. Então e tu minha racista das lezírias, estas-me a querer convencer de que os ciganos que nunca te fizeram nada, nem te ameaçaram e nem a 3 metros do balcão estiveram, iam assaltar a livraria?
Pois..o que aconteceu é que tu e teu cérebro alcoviteiro, e agora também racista, pensou logo que se um cigano entra na loja é porque vai haver assalto.
E pronto passaram o dia chateadas comigo porque lhes chamei racistas...e sem razão claro!

Rapidinha:
Lembram-se da livraria embruxada em que a impressora dos talões não parava de vomitar rolo?
Pois bem é um vírus no computador! A minha questão é...como é que uma rede IntraNet apanha vírus só naquele computador. Não tarda diz-me a Josefina que foi algum feitiço lançado pelos ciganos!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Bilhete para a Irlanda


Depois de já haver histórias dos mais variados pedidos de cliente na livraria, recordam-se? O carregamento de telemóvel por exemplo. Pois é...hoje houve um pedido que consegue ainda ser mais estranho que todos os outros. Incrível não?
Hoje pediram-me Super-Cola 3. Pior a mulher interrompe um atendimento a um cliente para me perguntar rudemente se havia Super-Cola 3. Eu rudemente respondo "Super-Cola 3???? Isto é uma livraria", até o cliente que eu estava a atender revirou os olhos com pergunta mais tola.
Mas não..esta não foi a pior...houve ainda um pedido mais estranho.
Tudo começa por volta das 14 da tarde quando um cliente decide entreter-se a ler na livraria (até aqui normal), mas deixa-se dormir, também na livraria (até aqui também tudo normal), passaram umas horas entre gemidos do cliente que estava a sonhar, entre fios de baba a escorrer no queixo e entre um ronco mais acelerado que outro. Certo é que quando acorda esse mesmo cliente, muito seguro de si, vai ao balcão e pergunta "Consegue arranjar-me bilhetes para a Irlanda na segunda-feira?" Eu pensei que até tivesse percebido mal e perguntei se ele estava a falar de alguma promoção, mas não. "Não não...eu quero bilhetes para a Irlanda para segunda-feira!"
E pronto acho que aqui foi uma boa altura para lhe lembrar que ele entrou e acordou numa livraria e que não fez nenhuma viagem extra-corporal até a uma agência de viagens. Quando digo isto ele olha em volta, para se assegurar que estava mesmo numa livraria e despede-se com uma "muito boa tarde"
Pois é, pedirem bilhetes de avião numa livraria já ultrapassa tudo e todos não é? Mas cheira-me que não se fica por aqui, porque eu pensava que pior era mesmo o pedirem para carregar o telemóvel.
Já não me vou admirar se me perguntarem se servimos refeições...essa é que é essa!

Livraria Embruxada


Já considerava "normal" livros a cair das estantes parecendo que alguém ou alguma coisa os fazia cair de propósito só para eu ir arruma-los outra vez. Mas por vezes eram quedas tão estúpidas que mais parecia que a loja estava embruxada...e ontem ainda foi o mais esquisito.
O computador ao lado do meu da-lhe na real gana abrir uma janela MS-DOS sozinho e como não bastasse a impressora dos recibos começa a vomitar papel que nunca mais parava. Isto já é esquisito por si só não é? Mas não fica por aqui. Eu desligo a impressora e quando a volto a ligar, pimbas...mais papel para fora, e por ela ficava ali a tarde toda até gastar o rolo todo.
Claro que reportei o caso às colegas que estavam comigo...Sagismunda incluida.
Decidi desligar a máquina durante um tempo para ver se parava de cuspir papel, entretanto chega a Sagismunda e diz-me "Epah, olha a máquina já parou de deitar papel cá para fora". Eu, enquanto batia com a mão na testa disse-lhe "Sagismunda, primeiro nem era essa impressora que estava a deitar papel, estás no computador errado, e segundo ainda não chegamos ao ponto de isto estar embruxado de tal maneira que a impressora começa a cuspir o rolo mesmo estando desligada!"
Aqui a Sagismunda parece que se apercebeu que não joga com o baralho todo, e nem outra coisa esperava dela.
Ah...as câmaras de vigilância também deram o berro, ainda bem...finalmente estou fora do Big Brother. A Josefina, como boa substituta do Diabo que é, telefona-lhe e diz-lhe que as câmaras foram-se! Resposta do Diabo foi que eles fizeram isso na Sede para que o Grande Chefe pudesse também ver o que acontecia na loja.
Bem, eu aqui nem vou discutir isto em termos legais porque é ridículo. Porque para mim isto foi a desculpa perfeita que o Diabo amassou para ficarmos pressionados a nunca pararmos na livraria porque o Grande chefe pode estar a ver. Ya...Bite Me!!!!

A Montanha Mágica


Depois de ter desfeito o sonho a um agente da PSP dizendo-lhe que os livros Cherub são para miúdos, hoje fiz a mesma coisa, mas a uma senhora.
A senhora, simpática por sinal, perguntou-me se tinha o último livro do Thomas Mann.
Fiquei na dúvida e perguntei-lhe se ela queria o último que o autor escreveu ou o último que tinha voltado a ser reeditado. Ainda fiquei mais espantado quando ela me responde que queria aquele que ele tinha escrito há pouco tempo.
Pronto, percebi aqui que tinha de deitar por água abaixo mais um sonho de fã. Como dizer a uma senhora obcecada pelos livros de Thomas Mann que este senhor morreu a meio do século XX?
Tudo o que me dignei a dizer foi que o autor já tinha falecido há muito tempo, mas que tinha sido reeditado um livro dele há pouco tempo, A Montanha Mágica. Para variar, a senhora não acreditou em mim (lá se foi a simpatia) e quase a chamar-me de ignorante diz-me que ele ainda está bem vivo da silva e que A Montanha Mágica é sim o seu mais recente trabalho.
Não respondo nada, apenas pego no dito livro e indico-lhe a contra capa. Na contra capa a cliente além de ler que A Montanha Mágica remonta a 1924 lê também que Mann foi Prémio Nobel em 1929, e portanto, dificilmente estaria vivo...mas para ter certeza estava no fim escrita a data de óbito.
A cliente não volta a olhar para mim, simplesmente pousa o livro e vai-se embora. Foi chorar? Foi beliscar-se para ver se não era um sonho? Foi ver se há mais do que um Thomas Mann? Não sei...sei que ela voltou meia hora depois para comprar o livro.

sábado, 8 de agosto de 2009

O Cliente Brasileiro


Depois do caso Nafka hoje passou-se algo semelhante.
Um cliente brasileiro aproxima-se do balcão e pergunta "Aew Moço tem o livro Camaleão?"
Pesquisei da base de dados e claro apareceu-me uma catrefada de títulos com a palavra Camaleão. Parvo, aqui o livreiro começou a ler um por um dos títulos ao brasuca para ver se era algum daqueles livros que ia dizendo.
Isto até que, iluminado por uma ideia, decido perguntar se o título do livro era mesmo só Camaleão ou se tinha mais alguma palavra. Resposta do brasuca "Né não...é só Camaleão mêmo poh". Continuei o meu recital de livros um a um, até ser novamente iluminado e perguntei se o livro era para o cliente. Ele diz que não que era para a mulher e foi busca-la. Chega a mulher e só diz isto "Caraca porqui tá você pesquisando por Camaleão? Naum é Camaleão naum...é Caibalion!"
Respondi que tinha sido o outro brasuca, e portanto o marido, a dizer que era Camaleão e a resposta do marido brasuca foi "Poh com esse seu sotaque do Nordestxe entendi Camaleão".
E pronto, para ter certeza perguntei se queria mesmo um livro sobre Filosofia Hermenêutica e tive reposta positiva. Mas tive logo de dar uma negativa porque não tinha o livro e ele já tinha deixado de ser publicado.
Os brasucas, casados, foram embora resmungando com o sotaque de cada um.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Descobrimento da Sexualidade

Bem para começar, este post marca a estreia de outra colega minha na livraria...ela já lá está ao tempo, mas hoje merece destaque. Por isso, à imagem das outras, vou-lhe apelidar carinhosamente de Clementina.
Uma cliente tem o azar de ir pedir ajuda em livros à Clementina e logo num assunto delicado.
- Olhe eu tenho um filho de 11 anos que está agora a descobrir a Sexualidade, sei que há pelo menos dois livros que explicam isto aos jovens. - disse a cliente em pedido de ajuda à Clementina.
A Clementina de tantas e variadas respostas que podia dar sai-se apenas com um "Ui" alto e ruidoso envergonhando a cliente, enquanto se dirige à parte juvenil para procurar um livro sobre o assunto.
É assim Colombo não descobriu o Brasil sem Livros? Vasco da Gama não descobriu o caminho marítimo para a Índia sem Livros? Então porque não pode um rapaz de 11 anos também ele descobrir a Sexualidade sem livros?
Oiçam...os livros que explicam a sexualidade aos mais novos, e já são muitos os livros que existem, são muito perigosos. Isto porque todos eles abordam já o outro lado da sexualidade...Diga-se a homossexualidade.
Ora uma miúdo de 11 anos a ler aquilo pode pensar que tem de experimentar dos dois para se decidir.
Deixem o rapaz ir por esses mares nunca antes navegados da sexualidade e tudo o que vier é peixe!

Rapidinha:
Mais um método novo de pesquisa: Livro fininho, tipo romance histórico que fazia parte de uma colecção.
Pois claro...esta-se mesmo a ver que dei com isso não está?

Cliente 10%


Um cliente chega ao balcão com o livro da colecção Reis de Portugal D. Maria II e tenta-me logo chular pedindo um desconto de 10%.
Eu digo que não posso fazer isso porque o Diabo não deixa. Mas o cliente insiste e armado em V.I.P lá vai dizendo que em todas as livrarias onde vai lhe fazem desconto de 10% porque faz muitas compras e aproveita e ainda diz que no próprio site da Temas e Debates o livro está a 19€, tal como noutras livrarias on-line está também a 19€.
Bom isto agora há muita coisa para desmontar no que o cliente disse.
1º - Se lhe fazem desconto de 10% em todas as livrarias onde passa porque faz muitas compras porque raio decidiu ir aquela? Para me chatear?
2º - O site da Temas e Debates não existe...existe sim o do Circulo de Leitores cuja Temas e Debates é uma Chancela. E todos sabem, e eu expliquei ao senhor, que para os sócios do circulo os preços dos livros são mais baratos, e é isso que está no site (http://www.circuloleitores.pt/catalogo/1018736/d-maria-ii). Preço de editor é 23,50€ e preço do circulo 19,90€.
3º - Não sei a que livraira on-line o cliente foi, mas todas marcam os 23,50€. Mas mesmo que essas mesmas livrarias o vendessem a 19€ seria para fazer o ajusto nos custos de porte, que rondam os 3€. O cliente pode refilar que os portes são grátis. Pois são, mas para compras superiores, geralmente, a 40€! E nem todos compram livros aos 40€ de cada vez.
Bem acabei por lhe dizer que o Circulo de Leitores faz descontos aos sócios, portanto se ele quer assim tanto livro que se faça sócio, fica é obrigado depois a comprar um livro de 2 em 2 meses.
Resmungou mas arrotou com os 23,50€ e lá foi a choramingar.
E se tem assim tantos descontos em tantas livrarias, que eu dúvido, vá a essas.

Nova Maneira de Pesquisar Livros


Depois de já ter feito pesquisas de livros onde os clientes não sabiam autor, editora ou título...existem ainda maneiras inovadoras de me pedirem esses livros. Recordo que já tive clientes que me leram o que o índice do livro tinha, outro que tinha ouvido falar do livro na rádio e, portanto eu também tinha de saber qual era o livro porque oiço a mesma rádio e tive outro cliente que queria um livro que tinha passado na Oprah.
Bem desta vez foi uma cliente que queria uma livro que tinha estado numa mesa em exposição (mas que já não estava), que tinha um elástico vermelho e cuja capa era também toda vermelha...ah e custava 20€! Titulo, autora, editora...nada disso. Uma descrição física do mesmo, mais o local onde ele estava antes é mais do que suficiente para encontra-lo.
A cliente queria esse livro porque uma amiga aconselhou-a a ler, e esta cliente já tinha visto este livro na nossa loja e decorou onde estava. Então mas se foi a amiga que aconselhou uma das primeiras coisas a fazer não era logo, pelo menos, tirar o título do livro? Pois, parece que não!
E então lá andou aqui o livreiro à deriva no estaminé à procura de um livro vermelho com elástico e que custasse 20€. Bem verdade seja dita é que encontrei o livro, só porque vi que tinha um elástico, porque a cor era Castanha. E Castanho e vermelho não são cores que se confundam facilmente. Mas o melhor foi quando entreguei o livro à cliente e ela vê a cor Castanha, nunca vermelha e diz "Viu, eu tinha razão o livro tinha um elástico." Sim mas a cor Vermelha é que nem por isso!
E pronto acrescento esta maneira de pesquisar livros às outras já reportadas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Plafond? Nem às águas confesso


Pois bem, já que não dispomos de um frigorífico, de microondas e de cadeiras para os livreiros a única coisa que estava lá para nos servirmos dela era mesmo a máquina da água. Digo bem...estava. Quer dizer...ainda está, mas água nem gota.
Nos meus primeiros dias de serviço a água também estava a acabar e o Diabo, no único momento de preocupação para com os outros de que tenho registo, ligou logo à empresa das águas para vir fazer a reposição das águas, e eles no dia seguinte lá estavam.
Então que aconteceu agora para estarmos sem água na máquina há duas semanas e até estamos a pagar do nosso bolso, para uma coisa básica que se chama...Matar a Sede?
Fácil...O Diabo foi comprar separadores às corezinhas, marcadores, papelinhos coloridos e porta papeis, tudo adivinhem...também às cores, e até um banco com rodas para podermos chegar às prateleiras mais altas, mas que nenhum dos livreiros usou até agora. E nestas compras gastou o resto do plafond do cartão da loja e deixou-nos à sede.
Calma lá...pode faltar tudo, mas tem de haver um papel vermelho para "coisas urgentes" e outro papel verde para "lista de espera" porque se não aquela livraria perde a embraiagem!
Ai têm sede? Vai del-cano que é bom e não embebeda!

Papelaria = Livraria?



É assim, já me passaram pela frente vários tipos de clientes...mesmo aqueles que pensam que a livraria é o posto de informação do Centro Comercial.
Vão lá e perguntam até que horas está aberto o Centro Comercial, telefonam (sim telefonam) a perguntar se a loja X ou Y está aberta e a que horas fecha, e o melhor de tudo é ligarem a perguntar que filmes estão em exibição no Cinema do Centro comercial...pois ainda há gente que prefere gastar dinheiro numa chamada a ir à internet/jornal ver os horários dos cinemas.
Mas hoje foi peculiar, e ainda por cima foi a minha primeira cliente do dia. Cliente nada...já vão ver!
Tal como todo Centro Comercial que se preze, todas as lojas estão mais do que sinalizadas para chamar a atenção dos clientes, só faltando mesmo os neon's ao estilo Las Vegas. Mas além das placas dos Centros Comerciais a próprias lojas gabam-se de ter gordos e espampanantes logótipos para facilmente se reconhecer em que estaminé estamos. E mesmo que o cliente não se aperceba de tal chavascal de logótipos, hoje em dia já há lojas em que entramos e não precisamos de ver o logótipo para percebermos em que loja estamos, porque já nos habituaram àquela maneira de estarem organizados. E bem...o estabelecimento onde trabalho não é excepção.
Então se não é excepção porque raio me entra na loja uma senhora e pergunta se ali fazemos carregamentos de telemóvel? Nem quem confunda papelaria com biblioteca, como já aconteceu na loja, pede para ali se carregar o telemóvel. E atenção...Centro Comercial nos dias que correm trás atrelada a si outra palavra, Caixa de Multi-Banco! Onde podemos pagar tudo...mas não todos!
Eu aguento todo o tipo de confusões...mas perguntarem por carregamentos de telemóvel na livraria é a gota de água. Bem só não foi porque esta era, supostamente, a primeira cliente...e ainda estava a apanhar o ritmo, monótono, de livreiro e estava bem-disposto.
Mas depois desta o que se segue? Alguém a pedir-me 2 euro-milhões de máquina e uma raspadinha?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Livros a 0,01€


Um senhor na posse de um cheque-livro no valor de 35,01€ pergunta se pode ir à sua vida escolher os seus livros. Eu, pensando ser o rosto de liderança daquela livraria por o senhor me ter pedido autorização para circular livremente no estaminé...respondi autoritariamente "Sim!".
E passados uns aborrecidos 15 minutos o cliente volta e na mão trás dois livros...um deles etiquetado a 0,01€. Ele perguntou-me se era mesmo aquele preço...eu qual Poncio Pilatos, aqui lavo as minhas mãos, remeti o assunto para o Salazar de serviço, a Josefina.
Ela que lhe caiu tudo ao ver um livro de 22€ etiquetado como 0,01€ tenta passar na caixa o livro para ver se ele assume outro preço...mas está quieto oh bicho. 0,01€ na mesma! Tenta na base de dados da livraria e os 0,01€ lá estavam. Isto porque houve uma promoção, que ainda não era do meu tempo, em que na compra de certo livro aquele era oferta. Passava na caixa a 0,01€ com desconto de 100%! Mas nunca se chegou depois a trocar as etiquetas.
Julgo até que a Josefina despejou algo semelhante a um quase choro quando o cliente afirma "Se fosse a DECO obrigava-a a vender-me por esse preço" e foi neste momento entre o choro da Josefina e a afirmação de cliente que a Josefina liga ao Diabo Mor.
E o que ia o Belzebu fazer? Nada...lá está, não é omnipotente, limitou-se a dar descompostura na Josefina, o que me fez ganhar o dia, e o livro foi vendido a 0,01€.
Que tem isto de especial? Nada...só o pequeno pormenor do Cliente me perguntar se tinha livros de auto-ajuda, mais propriamente sobre auto-estima...e eu próprio ter tirado o livro da estante para o senhor. Epah sei lá...achei que a melhor maneira de subir a auto-estima do cliente era um livro que ele precisasse que ainda por cima fosse praticamente de graça. (Sim já tinha visto aquele livro e nunca disse ao Diabo se o preço era para manter...afinal omnipotente sou eu!)
E senti que mudei o dia ao cliente, ainda foi buscar outro livro, sim porque 0,01€ num cheque livro de 35,01€ não faz nada. Pensando bem até parece que o cêntimo no cheque-livro do senhor foi providencia divina!

Paixão é...


Curto e grosso aqui vai a definição de paixão. Sim o velho ditado que diz Paixão é deixa-la conduzir já não se aplica.
Paixão é entrar naquela livraria completamente fardado...e com fardado digo farda a séria.
Paixão é ir com o equipamento do Benfica completo, meias incluídas, aos livros...
Paixão é além do equipamento, ter também a mala do Benfica...
Paixão é além do equipamento, da mala, o porta chaves ser do Benfica...
Paixão é além do equipamento, mala e porta chaves, os ténis serem do Benfica...
Paixão é além do equipamento, da mala, dos porta chaves e dos ténis, a tatuagem ser do Benfica...
Paixão é além disto tudo o benfiquista perguntar se na livraria fazemos desconto a sócios do Benfica. Confesso que dada a devoção à religião benfiquista que o cliente tem apeteceu-me fazer desconto. Mas como ele apresentou o cartão da livraria não foi preciso...
Ah...e paixão é além de ter o equipamento, mala, porta-chaves e ténis, pagar a conta com o cartão da CGD do Benfica...que foi retirado claro, da carteira do Benfica.
Tudo produtos oficiais...
E assim é um cliente benfiquista à séria como vem nos manuais!

A Professora


Andava eu perdido, mais uma vez, na livraria quando oiço uma voz por detrás "Ah sabe este livro fui eu que escrevi". Sim, há alguém que interrompe todo um processo de concentração de um livreiro para clamar um livro escrito por si.
Neste caso era a Professora Paula Lourenço e o seu livro As amantes dos Reis de Portugal. Ela não me conheceu, mas fui aluno dela nos tempos de faculdade, mas há uma razão bastante plausível para não ter sido reconhecido...a Professora apenas apareceu a 4 aulas na faculdade, sendo que duas delas foram testes...logo duvido que nesse ano tenha decorado o nome/cara de de alguém.
Mas continuando (eu também não lhe fui dizer que ela tinha sido minha professora). A senhora começa logo a contar toda a história em redor do livro. Que implicou muito tempo na Torre do Tombo, que a editora paga muito mal aos autores...bla bla bla. Traduzindo, eu que a conheço. A Professora nem mexeu uma palha para o livro, foi apenas a coordenadora, e duas doutorandas é que fizeram o trabalho todo e a Professora acaba por não receber o dinheiro todo porque as duas doutorandas exigiram mais pilim porque fizeram tudo, ficando a professora com o crédito.
A verdade andará, de certeza, algures naquilo que disse.
Mais...reclama comigo, que nunca puxei conversa sequer, de não ter recebido um exemplar da 4ª ou 5ª edição. e a culpa é minha claro...que deveria ter-me apercebido que a Esfera dos Livros pode estar desatenta, e devia ter avisado para mandarem um exemplar de cada edição à "autora". Mas então o raio do livro não é igual em todas as edições? Aquilo nem deve ter sido revisto quanto mais.
Ai ai...nem de sabática aquilo vai ao sitio.

Diabo Fora...


Patrão fora, dia Santo na loja! Já dizia o ditado. É verdade o Diabo vai atormentar para outros mares durante duas semanas, mas deixa a sua mais que tudo, Salazar Júnior, no Comando, leia-se Josefina. Mas alto lá, Diabo que se preze não vai de férias a confiar no discípulo...aliás não quer chegar de férias e ver que a Josefina lhe usurpou o Trono.
Ora e para a Josefina não andar de nariz empinado a dar ordens o diabo achou maneira de, como Deus, ser omnipresente! Como? Fazendo um documento de 7 páginas onde descreve o dia a dia que cada livreiro vai ter. O Diabo atribuiu tarefas diárias a cada um de nós...e o pormenor dessas tarefas é tal que só falta dizer a que horas é que eu tenho de ir ao WC.
Desta maneira sempre que levo com o raio do documento na venta lembro-me logo do Diabo e que Deus, a existir, está de férias. Porque quem está omnipresente é o Chifrado...e só não está omnipotente porque, pelo menos comigo, não pode fazer tudo. Se eu um dia me der na real gana dizer não!, acompanhado de "olha que eu chamo a minha mãe" nem o tridente do Pés-de-Cabra o safa.
E então boas Férias Diabo...ou melhor vai de retro Belzebu!

Rapidinha:
Cliente: "ahh até já li um enxerto deste livro e gostei"
Eu: "E gostou da parte em que o polícia leva um excerto de porrada?"

terça-feira, 28 de julho de 2009

O Livro Juvenil


Faltavam 10 minutos para ir embora! 10 minutos que foram os mais longos desde que estou na livraria.
Isto porque aparece um homem, homem não, um Golias nos seus quase 2 metros, e dando-me uma lista pergunta se tenho algum.
Os títulos estavam em inglês, e só os conheci pela colecção. A colecção e a do Cherub (http://www.mundocherub.com/) que são livros de um agente especial que salva o mundo vezes sem conta. A particularidade é que é uma escrita acessível e é uma colecção para os mais novos.
Levei então este cliente para a estante onde estavam os livros e avisei-lhe "olhe o titulo original dos livros não vai coincidir com nenhuma tradução para português. Dou-lhe um exemplo, o livro original The Killing foi primorosamente traduzido por A Seita".
O cliente pergunta-me então quantos é que eu tinha na loja e eu respondi que tinha todos os que até agora tinham sido traduzidos e que o último era o número 5, A Seita.
O pior foi quando o cliente pergunta (lembro outra vez...quase dois metros, voz grossa e intimidante): "E há alguma razão para os livros estarem na secção infantil/juvenil? Não tinham espaço na livraria?"
Ah pois...como dizer a um homem destes que a colecção que ele quer ler religiosamente não passa de uma aventura para putos com página até no hi5 (http://mundocherub.hi5.com/).
Pois aqui o livreiro quase quase a verter águas encheu o peito com o que restava de ar e disse: "Pois...este livro está catalogado como juvenil"
Resposta recebida: "Você está a brincar comigo não está? É que não tem piada nenhuma!" - Já disse que ele tinha 2 metros, voz possante e tudo mais? já? ok!
Pela segunda vez encho o peito de ar e que faço? Descarto-me claro! Antes que apanhasse! "Não somos nós aqui que catalogamos os livros...são indicações da editora e por vezes da Sede. Mas Juvenil é uma coisa muito abrangente!"
O cliente com medo do meu peito cheio de ar, ou mais provavelmente, com pena daquele livreiro que já tinha tremido as pernas como varas verdes disse "ok, levo este só para experimentar"
E aqui termina a saga de um livreiro que a 10 minutos de sair ia-lhe caindo o carmo e a trindade em cima.

O Despedimento


Ora hoje não venho aqui pelas melhores razões. Alguém foi despedido, não na livraria onde trabalho, mas noutra da mesma companhia. A situação é triste, mas é a maneira como se despedem pessoa nestas livrarias que é a coisa mais engraçada.
Quem foi despedida foi a chefe de Loja de uma das livrarias por não ter conseguido cumprir os objectivos durante seis meses.
Os objectivos são definidos pela Sede, tendo em conta os resultados anteriores, e dependem sempre de livraria para livraria. Eu pensava que a Sede dava prioridade à promoção e progressão de carreira da prata da casa. Mas não, neste caso específico, e depois vim a saber que em quase todos os casos, eles não escolhem para os altos cargos alguém da empresa, escolhem uma pessoa de fora. Pessoa esta que pode nem saber como funciona uma livraria, ao contrário de um livreiro, que tendo já desempenhado todas as ouras funções estaria em melhor condições de ser promovido a chefe de Loja.
Então querem saber como se é despedido por estas bandas? É bem engraçado!
Sabem como se manda um nosso familiar alcoólico para a reabilitação? Nas livrarias é a mesma coisa.
Com o nosso familiar, a família junta-se toda para confrontar o alcoólico da família para que este vá para uma clínica, do tipo. Marido: "Querida tens andado a beber de mais, quero que a nossa relação volte a ser o que era, tens de fazer isto por ti e por nós"; Depois vem o filho: "Sim mãe, o pai tem razão, tens de voltar a ser tu mesma, e sabes que tenho saudades da mãe que já tive". E pronto depois vêm irmãos, avós, primos...toda essa gente dizer na cara do familiar que ele deve ir para a reabilitação.
Então e como é que se aplica isto nos despedimentos? E ainda mais numa livraria? Nada mais fácil...Juntam-se os chefes de loja da região, vão ter com a chefe de loja que vai ser despedida e um a um dizem-lhe que para bem dela e da livraria ela tem de ser despedida. Já estou a imaginar, "Olha colega há gente que não nasce com jeito para isto, mas não deixas de ser uma boa pessoa" e outro diz "sim claro, aliás o facto de te ires embora daqui vai ser o melhor para ti". E pronto um a um diz de sua justiça.
Já estou a imaginar quando/se eu for despedido. Junta-se a Sagismunda, a Gertrudes e a Josefina e uma a uma dizem que não nasci com o dom de ser livreiro e que o melhor é afastar-me. És o elo mais fraco....adeus!
E pronto assim foi uma chefe de loja despedida, livraria esta onde certo dia o CEO da Companhia mais a Coordenadora das lojas da região entram e deparam-se com os livreiros todos de havaianas e a ouvir Kuduro em alto som!

domingo, 26 de julho de 2009

Kafka à beira Nhafka


O episódio de hoje contado é que era bem aproveitado. Como aqui não posso falar, vou esperar que a escrita consiga exprimir bem o que se passou hoje.
Durante o dia de hoje já estava a ficar preocupado por não ter acontecido nada de especial, e estava mesmo a ver que chegava ao fim do dia sem nada para pôr nesta Livraria Maravilha. Mas como que enviado pelo céu cai-me um em cima que valeu pelo dia enfadonho e chato que tive, embora este episódio, naquele momento, tivesse ainda agravado mais o meu estado de espírito.
Passando ao que interessa. Um cliente nos seus 17/18 anos (auge da puberdade com tudo a que dá de direito, borbulhas inclusive) chega ao balcão e diz: (Isto agora até vai merecer diálogo)
- Queria saber se têm cá livros do Nhakta. (Isto mesmo o som Nha...de Nhanha)
- Desculpe podia repetir? - Disse o vosso livreiro que não tinha percebido bem o cliente.
- Livros do Nhakzta....têm? - Repetiu o cliente. Eu continuei sem perceber nada...aliás esta segunda vez pereceu-me um nome completamente diferente do que aquele que foi dito em primeiro lugar.
- Sabe qual e editora? Ou o tema? Será Fantástico, Juvenil, Polícial? - Disse eu. Era para perguntar o nome do dito autor uma terceira vez, mas com receio de o cliente pensar que eu era burro por não conhecer Nhakzta tive de inventar a ver se chegava ao livro pretendido de outra maneira.
- Não sei qual é a editora do Nhassta. E juvenil ele não é de certeza, quanto ao tema, bem o tema é o castelo. - Respondeu o cliente. Bem aqui já me parecia outro autor diferente dos outros dois que ouvi antes. Cada vez que o cliente me dizia o nome do autor, todas essas vezes me pareciam nomes diferentes. E bem, a parte em que o cliente diz que o tema é o castelo ajudou a desvendar o dilema todo como devem imaginar. Foi só eu ir à secção Medieval e na letra "C" estava lá tudo o que era livro de Castelos....not!
- Então e esse autor escreve sobre quê? Filosofia, ensaios, romances? - Perguntei eu. Nesta altura ando a dar voltas à livraria para parecer ao cliente que estou quase quase a descobrir qual é o autor, tal como estou empenhado na procura dos seus livros. Mas lembrei-me desta:
- Esse nome é o primeiro ou último nome do autor? - Perguntou aqui o livreiro que estava já a esgotar as hipóteses.
- É o último...o primeiro nome é Frank! - Respondeu o cliente já a ficar maçado por eu estar a demorar tanto tempo a corresponder ao seu, mais do que elucidativo, pedido.
- Será Frank Kafka? - Perguntei eu, apercebendo-me que o cliente afinal de tudo estava era a falar fiambre...e aquela palavra em particular sempre que a repetia saía diferente.
- Pois...Frank Nhakfca, foi o que eu disse! - Responde o Cliente. Bem aqui foi a quarta vez em que o autor me pareceu diferente. Afinal era o Frank Kafka...mas que dito pelo cliente não se percebia nada. Ele não tinha um falar esquisito, somente o falar demasiado rápido, mas que dava para perceber tudo sem problemas. Era o raio daquela palavra que era estranha.
E pronto...levei o cliente aos livros do Kafka e ele lá ficou entretido, e possivelmente a pensar que eu não sabia quem era Kafka ou até que eu disse mal a palavra Kafka, que afinal diz-se Nhafka, e a esta hora está o cliente a escrever no blog dele a contar que um pacóvio de um livreiro não sabe dizer Kafka!

sábado, 25 de julho de 2009

O Desconto para Autores


Existem várias razões para fazer um desconto ao cliente.
Pode ser por causa de alguma campanha ou promoção, pode ser porque esse nosso cliente é nosso amigo e então fazêmos o desconto de colaborador, pode acontecer até que o livro esteja danificado e não haja outro exemplar e o cliente, após árdua luta com o Diabo consiga o seu desconto de 5 a 10%. Ou pode ter desconto se tiver o cartão cliente da livraria, ahh...no caso de ser algum cliente/entidade, como escolas Câmara Municipais, Bibliotecas, que compram grandes quantidades, nesses casos também existe desconto.
Agora desconto de autor? É brilhante.
Uma cliente chega ao balcão e pergunta se fazemos descontos para autores. A primeira reacção quando nos dizem isto (e até parece que acontece muitas vezes) é olharem para a cara do cliente e tentarem reconhecer aquela cara de algum lugar, o que não foi o caso. Nunca tinha visto aquela cara...o que não invalida que a cliente não tenha escrito algum livro, afinal não conheço a cara de todos os autores. Alguns há em que preferia nem conhecer de vista...leia-se Cláudio Ramos & Cª.
Perguntei então à cliente/autora que livros ia levar. Resposta: "Vou só levar a Filha do Capitão!"
Quer dizer, pede desconto de autor e só agora vai ler José Rodrigues dos Santos? Ainda por cima o primeiro livro? Enfim também não sou apreciador dos livros do senhor, mas se fosse escritor fazia o esforço para ficar a par das tendências. Embora ainda esteja indeciso em que tendência estará a parte de pôr uma aluna Sueca a convidar o professor português a ir a casa dela comer sopa, e que nesse mesmo encontro a aluna sueca tira o seu seio para fora dizendo que o sonho dela é fazer uma sopa com o seu próprio leite. Sexy não é? O professor fica...deleitado!
É claro que não houve pão para malucos, e muito menos descontos para autores. Está bem que o sector está em crise (mas juro que não sei como com tanto livro a ser vendido naquela livraria...às vezes 4000€ num dia só em livros) mas os autores, na minha opinião, vivem bem. Uns (Miguel Sousa Tavares) até se dão ao luxo de dar, em notas, 500€ a um pirralho para terem o PC de volta em vez de lhe darem um par de galhetas.
Ora eu, que sou livreiro, só posso ter direito ao meu desconto de colaborador da livraria passado um ano de estar ao serviço, fazendo-me andar pedir favores à Sagismunda e outras para fazerem o desconto delas...querem agora dar descontos a autores? Era o que faltava.
Bem, a cliente lá larga um sorriso amarelo por não fazermos descontos a autores...mas é a vida! Deveria ter perguntado que livro tinha escrito?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Livro para Impedir Casamentos



Uma senhora chega-se ao pé de mim e do nada começa a contar uma história...sem mais nem menos, nem "olhe desculpe" ou "pssst" como fazem aos cães. A história reza assim...uma mulher americana casa com um iraniano e vai viver com ele para o Irão. Lá, essa mulher tem uma filha e começa a ser obrigada pelo marido a comportar-se como uma mulher muçulmana. Nada de falar com homens, burca em cima, nada de conduzir...todas essas modernices que as mulheres não fazem no estado islâmico percebem! Depois ela apercebe-se "mauuu...isto não é o que estava a pensar, se calhar vou-me é embora!" e começa a luta para sair do país e levar a filha, coisa que consegue refugiando-se na embaixada depois de recuperar o passaporte que o marido lhe tinha tirado. Claro que este resumo que vos fiz foi feito para se tornar minimamente interessante, mas o essencial mantém-se. Toda esta conversa para a cliente no fim me perguntar se tenho algum livro que conte esta história. Ela nem sabia se isto foi livro...apenas tinha visto um filme/documentário.
Claro...para quê um autor, título ou editora quando se sabe a história não é? Óbvio que não me passa no mais esperto dos neurónios qual o livro em causa...nem sei se existe algum.
Para que é que a cliente quer o livro? Fácil!!! Porque uma amiga/familiar vai-se casar com um muçulmano e assim com o livro podia ser que abrisse os olhos! O quê? Dar conselhos ou falar com a amiga cara a cara sobre o assunto? Não...um livro é melhor e mais barato. Um Livro Põe Fim a Relacionamento entre Portuguesa e Muçulmano...se lerem esta manchete no Correio da Manhã ou no 24h é porque a senhora encontrou o tal livro!

Josefina Vai ao Lixo


Pois é, hoje tive o melhor início de trabalho de sempre. A patroa baldou-se porque o marido estava doente e a Josefina teve um péssimo momento que ia ser meu, mas que ela felizmente mo roubou numa tentativa frustrada de se tentar exibir.
Um senhor chega ao balcão com um livro e eu ia a tender, mas fui atropelado pela Josefina que se ofereceu logo para até levar o rabo ao cliente com água das rosas. Mas não era isso que o cliente queria...o cliente queria apenas um livro. Mas além de livro ele queria "um desconto para pessoas com mais de 65 anos". Sim...palavras do cliente. Eu notei que ele estava a reinar, mas o feitio e antipatia da Josefina não descortina essas coisas.
A Josefina disse logo "ah não temos esse desconto e nem estou autorizada a fazer". E pronto lá veio da parte do cliente um daqueles discursos de ex-emigrante onde no estrangeiro fazem desconto para os velhos e essas cenas. Mas aqui é que Portugal é moderno e aberto, só os velhos é que não percebem. Para Portugal (governo) nunca se é velho. Dos 8 aos 80 somos todos jovens no auge da nossa puberdade. Aliás, o aumento da idade da reforma para os 65 é a prova de que Portugal vê esta faixa etária ainda como mais do que capaz. Aos 65 anos o português ainda está, que remédio, no auge das capacidades e tem tanto para dar como para receber...e mais ainda para pagar.
E pronto a Josefina faz a conta sem o desconto desses países do 3º mundo, que discriminam os velhos, e pede os 11€ do preço do livro!
Melhor é quando o cliente diz que o livro não era 11€ porque tinha marcado na etiqueta 10€ e qualquer coisa. Enquanto diz isto o sacaninha pisca-me o olho! Então lá vai a Josefina ao caixote do lixo buscar a etiqueta enquanto resmungava que tinha a certeza que o livro custava 11€. Isso mesmo...a Josefina que não perde uma para descascar em alguém ou achincalhar um colega hoje esteve a esfregar-se no caixote do lixo, que felizmente estava cheio, à procura de uma etiqueta.
E bem, ela encontrou a etiqueta e o cliente tinha razão. A etiqueta marcava 10€ e qualquer coisa. E o qualquer coisa eram 99 cêntimos. Sim a Josefina foi ao lixo por 1 cêntimo e percebi o porquê da piscadela de olho. Abençoada!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sagismunda Volta das Férias



Ora antes de começar a contar as desgraças de hoje quero fazer apenas um desabafo. Há cerca de 3 dias fui falar com a chefe a propósito da Gripe A. Disse-lhe que não sabíamos de onde os clientes vinham e com quem tinham estado, basta um deles estar infectado, espirrar e depois ir agarrar um livro para depois qualquer um de nós que toque nesse livro poder ficar infectado, se levar o livro perto da cara ou mesmo depois as mãos à boca ou nariz. Disse que era melhor tomarmos algumas precauções, sobretudo irmos pelo menos um vez de hora em hora lavar as mãos. A chefe teve resposta rápida "ahh pois não sei, e da Sede não me disseram nada". Como se fosse preciso ter ordens superiores para fazer uma coisa tão simples. O pior é que ela hoje encarrega-me de estar responsável pelas encomendas feitas por clientes através de e-mail. Ora qual não é o meu espanto que quando ando à procura de pedidos de cliente no mail da loja encontro um mail da direcção sobre a Gripe A enviado no dia 28/06. Nesse mail além de dizerem para os responsáveis autorizarem a ausência dos colaboradores para lavarem as mãos, deixam em anexo no mail um panfleto que deve ser imprimido e colocado em local acessível a todos os colaboradores. Este mail ainda estava por abrir...tal a importância que a chefe dá a estes assunto. A ser alguém infectado à de ser aquila a primeira.

Passando agora às aventuras de hoje. Chegou uma colega que tem estado de férias. Esta minha colega, não importa aquilo que vocês digam ela responde sempre primeiro com um "hein?" E um riso que me põe nervoso "aaooohhhohhhahhh". Como se não bastasse sempre que estou a fazer qualquer coisa ao pé dela, ela está sempre a olhar de esguelha à espera que eu deslize para me dar nas orelhas. Por isso vou chama-lá aqui no blog carinhosamente por Sagismunda. A Sagismunda não mata...mas moí.
Para passar o tempo decidi puxar o assunto da Gripe A com a Sagismunda...sim eu sei, big mistake! Segundo a Sagismunda tanto morremos de uma gripe dita normal como de uma Gripe A. Não há diferença entre as duas. Eu a sentir que a seguir vinha a velha teoria da conspiração de que foi um laboratório que soltou o vírus blá blá blá inventei a desculpa de que tinha que ir fazer qualquer coisa. E a Sagismunda é para mim então a segunda que quero ver a ficar infectada.
Passado mais um pouco vejo a minha Sagismunda a pôr etiquetas de desconto em livros ao calhas. Vou ao catálogo confirmar se os livros estão ou não em promoção e digo "acho que estes livros não têm 10% de desconto" ao que Sagismunda responde "epah é preciso ter cuidado com isso porque depois se o cliente comprar temos mesmo de fazer o desconto"
"Yahh génio, foste tu que puseste as etiquetas"...não disse isto...apenas levei a mão à testa.
E pronto acabei o meu dia a desejar a gripe A a duas pessoas! Pelo segundo dia não tenho nenhuma aventura com um cliente digna de registo...pois as minhas colegas tratam sempre de superar!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um Café e Um Depósito


Hoje por incrível que pareça não houve nenhum cliente fora do vulgar, pelo menos que me tenha saído na rifa.
Então como não tenho ninguém em quem descascar nada melhor do que falar das minhas colegas. Colegas estas que prezo tanto, que de maneira a proteger a identidade as vou chamar carinhosamente de Gertrudes e Josefina, tal é o apreso que tenho por elas.
Ora ambas estas minhas colegas são do tipo que adoram malhar nos novatos que chegam às livrarias. A Gertrudes está lá praticamente desde a inauguração e a Josefina é a que esta abaixo do diabo (chefe), o que faz a Gertrudes irritar-se por ver um posto que podia ser seu, tomado por uma pirralha de metro e meio, se tanto, com os seus 22 anos. Mas como a Gertrudes é covarde não tem coragem de discutir e assumir a sua picardia com a Josefina e, por isso mesmo, descarrega em cima dos novatos, que, pensa ela, têm de comer e calar. E quem são os novatos? Nem mais...eu e uma colega minha.
E bem...resta a Josefina, que malha nos novatos simplesmente porque como pensa que ser chefe é estar carrancuda e achincalhar os colegas é isso que faz, quando o diabo em pessoa não está na loja e ela o esta a substituir. Mas ambas são, quer Gertrudes quer Josefina, na presença da chefe qual cordeirinho manso na livraria.
Mas ao fim-de-semana a história muda. Mas vou parar com as mariquices de que elas malham em mim e passar o episódio de hoje.
A Gertrudes avisa que vai num instante beber um café e que já volta. A Josefina diz-me que vai fazer o depósito do dinheiro do dia anterior e que também já volta.
Ora para ambas as pacóvias o instante e o já volto não levam menos do que 60min para laurear a pevide. A Gertrudes volta passado uma hora com um saco da quebramar e a Josefina volta com um saco do continente. O que se passou? A Josefina aproveitou o dinheiro do depósito para as compras e pagou um pólo da quebramar à amiga? Claro que não!!! Ambas foram às suas vidas e deixaram o novato na loja em pleno fim-de-semana, e portanto, sem movimento nenhum, sozinho durante uma hora. Mas é sempre bom saber que o livreiro efectivo naquelas livrarias ganha bem o suficiente para ir comprar a sua roupa na quebramar.
Mas só par que fique assente: quando a chefe está na loja nem a bexiga cheia as tira na livraria, saídas para café ou compras é heresia na presença da chefe.

domingo, 19 de julho de 2009

A Promoção


Na livraria maravilha por incrível que pareça também existem promoções. Esta que vos falar é de uma promoção pague 2 leve 3. Nesta promoção o cliente na compra de dois livros de bolso pode levar um terceiro livro de bolso à sua escolha, de graça.
Ora...um cliente chega ao balcão com um livro de bolso para levar e eu, em dia raro em que mostro a minha veia para o negócio, digo ao cliente: "olhe se comprar mais um livro de bolso pode levar outro da mesma colecção de graça."
O cliente achou uma maravilha e lá vai escolher outro com cara de quem já tem o dia ganho, desejoso de mostrar à mulher o orgulho de ter um homem que sabe aproveitar promoções.
Então numa primeira vez ele traz outro livro de bolso e eu limito-me a dizer, olhe podia já trazer o terceiro livro que quer levar de graça da mesma colecção. E lá parte ele mais uma viagem ao desconhecido.
E volta ele, qual homo labregus, com um livro mais grosso que a bíblia e do tamanho de um álbum de fotografias e com um sorriso farto e parvo ainda diz " é este que levo de oferta"
E bem, digo-vos que hoje não resisti e disse a minha primeira piada a gozar com um cliente na cara dele.
- Bem para um livro de bolso de oferta você tem uns bolsos bem grandes para escolher esse".
Sim ele foi a resmungar buscar um livro de bolso, de bolso mesmo, e eu continuei a pensar que não deveria ter saído de casa.

Livro da Rádio


Uma das aventuras de hoje levam-me mais um vez, e como não poderia deixar de ser, ao ridículo. Desta feita um senhor, pronto, um velho, entra na livraria, dá o seu giro na loja e depois empanca comigo e pergunta:
- Olhe desculpe, estou à procura de um livro que passou na rádio, você deve ter ouvido, aquilo faziam uma pergunta e quem acertava ganhava o livro. Acho que tem a ver com os amantes dos reis e os erros deles na história!
Ora bem...isto trás uma serie de problemáticas sobre as quais poderia ficar aqui eternamente a discutir...mas fique-mo-nos pelas mais estúpidas.
Primeiro - o senhor deve pensar que todo e qualquer livreiro só entra ao serviço precisamente no dia em que ele decide ir dar uma volta à livraria, e que como só entra ao serviço nessa altura é minha obrigação ouvir a rádio no resto dos dias em que não trabalho.
Segundo - Pior. Ainda que essa imagem idílica de livreiro tivesse réstia de verdade, qual a probabilidade de a minha estação de rádio ser precisamente aquela que o cliente ouve, e melhor, estar a ouvi-la no momento do dito concurso? Segundo o cliente a probabilidade é certa de que eu estou sempre a ouvir rádio, e não uma rádio qualquer. Oiço por obrigação a mesma rádio que o cliente. Eu possivelmente ouviria rádio se tivesse tantas folgas e horas de descanso como horas de exploração laboral. Sei lá eu agora que rádio tem um programa que dá como prémios livros...provavelmente toda e qualquer rádio o faz.
Terceiro - como não vivemos no mundo perfeito do nosso cliente, o facto de eu ouvir a mesmo rádio, ou sequer ouvir rádio está fora de questão. Agora o mais engraçado é que o cliente no momento do dito concurso nem se deu ao trabalho de guardar o nome do livro. Quer dizer tem tempo de ouvir os interlocutores a falarem 15 min do livro mas não tem 5 seg para ouvir o nome do livro. Claro...ele não tem, mas eu tenho essa obrigação. Então tenho de saber que livro fala dos desvarios entre reis e mulheres e os erros que estes cometeram. A minha vontade foi dizer: "meu caro, o que você procura não é um livro, é uma enciclopédia. Primeiro porque rei que se preze tem de 7 amantes para cima. Segundo porque rei e erros cometidos são palavras que se confundem constantemente na nossa rica História de Portugal. É óbvio que não sei que livro ele queria.
Enfim lá foi o cliente embora com a lágrima no canto do olho, porque naquele dia meus senhores, tudo o que ele imaginava de livreiros a ouvirem rádio atentos os seus programas foi por água abaixo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O Telefonema II




Ora hoje após umas boas horas de vergastadas, chicotadas e exploração tive o azar de ter de atender o telefone da livraria.
Já tenho uma vasta (e péssima) experiência no atendimento ao telefone, e por isso mesmo devia ser esperto o suficiente para nunca o atender...mas desta vez não podia fingir que estava distraído ou arrumar livros!Isto porque estava com o raio do telefone na mão!
Era uma professora desesperada (estranho...uma professora desesperada nos tempos que correm) que queria um livro que abordasse a temática da avaliação de escolas! Nem mais, como os professores têm toneladas de tempos mortos também avaliam agora as escolas! E não o podem fazer com um simples não satisfaz ou muito bom...nada disso, isso é para o povinho do estudante. A avaliação de escolas é uma coisa tão complexa, mas tão complexa que não existe livro nenhum sobre isso, pelo menos um que valha a pena.
A senhora tinha já passado toda a manhã a pesquisar e deparou-se na internet com um Pdf. Pdf este que a professora pensou ser um excerto de um livro. Então queria que eu através das palavras do índice (que ela mo ditou todo) soubesse qual era o livro. Autor, título e editora para quê quando sabemos o índice não é?
É claro que não fazia a mais pequena ideia de que livro era, disse até que aquilo poderia ser um pdf original, não sendo retirado de qualquer livro. Mas calma que a professora respondeu logo: " como não é um livro se eu acabei de lhe ditar um índice".
Bahhh...como é que eu não percebi que todos os trabalhos que esta professora fez na faculdade, supostamente terá andado numa, foram todos lançados em formato livro porque tinham índice. E quem diz os trabalhos desta professora diz de todo o estudante em Portugal (menos eu...ja vi que fui enganado na faculdade). Alias há mesmo um decreto lei que diz que todo o qualquer documento com índice é livro.
Mas eu, no auge da minha paciência e carinho por esta classe operária que está sempre na luta lá disse à professora que ia fazer umas pesquisas e que já lhe ligava. Mas isso não chegava para a professora: "então eu vou mandar-lhe este índice para o e-mail da livraria para ver se pode fazer alguma coisa com ele, talvez ajude na pesquisa". Claro...ajuda muito.
Bem além de não ter recebido o mail...ao menos o filtro anti-spam funciona naquela livraria...também não encontrei nenhum livro.
Não me fiquei por aqui e fiz eu próprio uma pesquisa no google e lá encontrei uns sites, recomendados pela UE e pelo ministério da educação, por isso só podem ser bons (coof coff), tal como vários tipos de métodos de avaliação de escolas e quais os mais utilizados.
Entretanto fui almoçar para dar ideia à professora de que a minha pesquisa sobre o que ela me pedia estava a ser difícil e trabalhosa. Quando voltei liguei-lhe e disse-lhe que tinha encontrado no Google umas coisas e que também o site do ministério da educação tinha informações. Resposta que tive: "Ahh o ministério tem site?"
Aqui foi a parte em que me caiu tudo..."então não era aqui que você deveria ter procurado por uma resposta em primeiro lugar?" não, não disse nada disto, mesmo à covardolas.
Apenas disse: "já enviei os resultados daminha pesquisa para o seu mail Sra. Professora."
O ensino está mal...mas não por culpa dos estudantes, ou melhor, eles não têm a culpa toda. Embora saiba que quando ouvir outra vez em entrevistas de rua que celebramos no 25 de Abril o dia da independência de cabo-verde ou o nascimento de D. Afonso Henriques mude de opinião.

Rapidinha: rapaz pseudo-inteligente (já vão perceber o pseudo) entra na livraria e diz: "vocês aqui nesta biblioteca têm este livro?"
Resposta que dei: "não!"
Resposta que gostava de ter dado: "olhe esse livro foi requisitado ontem por outra pessoa e só vai ser devolvido na próxima semana...escolha outro!"

terça-feira, 14 de julho de 2009

A Queixa



É verdade, hoje tive a primeira queixa de um cliente...não directamente a mim mas à ave rara da minha colega mais velha.
Reza assim...um senhor quer comprar um livro de nome A Tecnologia e os Alimentos vol 1. Livros como este são muito específicos e fazem-se pagar bem. Neste caso era um livro quase a chegar aos 40€.
Ora quando qualquer um de nós compra um livro caro o mínimo que exigimos é o bom estado dele não? E aqui não era o caso...o livro estava dobrado na ponta da capa. Fui ver se havia outro na loja e como não havia fiquei com os dados do senhor para fazer encomenda ao fornecedor.
Ora o que é que acontece? Quando essa esperta da minha colega me vê pergunta se fiz encomenda...respondo que sim.
Esta minha colega é daquelas que malha em tudo e todos...não vi ela ainda a falar bem de ninguém, e mesmo mal um cliente vire as costas é uma questão de tempo até ela largar alguma boca sobre ele. Eu nem quero pensar no que ela não deve dizer de mim quando não estou lá.
Pois bem, esta minha colega disse para eu cancelar a encomenda porque o tal cliente já encomendou várias vezes o mesmo livro e nunca ficou satisfeito com o estado dele. Pior...ela diz-me isto quando eu estou a atender outro cliente, e por tanto ele também está a ouvi-la falar de um cliente daquela maneira. Mas a cereja no topo do bolo é que o anão, dos seus 18 anos, que eu estou a atender naquele momento era nada mais que o sobrinho do cliente da dita encomenda que ela me mandou cancelar.
Claro que foi uma questão de tempo a até ele (cliente cancelado) voltar à livraria a descascar no pessoal. E esse pessoal fui só eu porque estava ao balcão a atender um cliente, que acabou por levar a piçada também e com a qual não tinha nada que ver.
Para a próxima a minha colega tem de aprender a fechar a matraca e fazer os comentários quando estiver sozinha...mesmo sozinha...apanhei uma descompustura por causa dela, mas pior foi ela saber que o cliente estava a descascar em mim e não ter ido lá assumir a situação. Mas foi com Grande prazer que quando ele perguntou o nome dela eu dei-lhe todo!!!!

O Telefonema



Bem a aventura de hoje não nos leva rigorosamente a lado nenhum...foi tudo pelo telefone.
O meu primeiro telefonema matinal...aquele que vocês atendem com mais carinho, transmitindo praticamente a ideia à pessoa que está do outro lado de fazer parte da nossa vida...foi muito, mas muito esquisito.
Sim, eu sei que maior parte de vós não atende o primeiro telefonema da manhã com alegria, mas a mim pagam praticamente para isso.
Então telefona uma senhora (deixem-me aqui só relembrar que eu trabalho numa livraria) a dizer que na Sociedade Filarmónica da terra vai haver rastreio ao colesterol e trombose/avc! É isso mesmo...mesmo depois de eu atender "fala o Miguel da livraria x em que posso ser útil" a senhora em vez de inventar uma desculpa para desligar, informou-me sobre o rastreio. Eu respondo saibiamente..."ok!".
Mas não fica por aqui...a senhora pergunta-me a idade...respondo 22 depois de levar uns segundos a tentar lembrar-me dela!
Ela decepcionada...(ao menos percebeu que eu com 22 dificilmente precisaria de rastreios daqueles)...pergunta-me se estou alguém mais velho.
É então que eu digo..."sim tenho gente mais velha e mais nova ate...caso não tenha ouvido está a ligar para uma livraria, mas se quiser eu vou a meio da livraria e grito se alguém quer fazer rastreios a doenças sub-40!" (para falar verdade a parte a que vou a meio da livraria não tive coragem de dizer pelo que me fiquei pela parte de recordar à Sra. que estava a ligar para uma livraria.)
Resposta da Sra.: "Com certeza sr Miguel tenha um bom dia."
E pronto...espero que na Sociedade Filarmónica também façam rastreio ao alzeimer porque 5min depois ela volta a ligar...

domingo, 12 de julho de 2009

Os Livros Mal Arrumados


Hoje estava a arrumar a minha secção, direito, economia, história, ciências sociais, esoterismo e auto-ajuda quando um cliente me chama. Pssttt!!! Exactamente...como fazemos aos cães! Eu vou e disponho-me a ajudar, que nem um cão!
Segundo o cliente o livro A Lei Eleitoral não devia estar na secção de Direito mas sim em Política. Eu explico ao cliente, olhe isto não é a definição de lei eleitoral nem um ensaio político, é o decreto lei sobre eleições e coisas do género. Ao que o cliente replica: sim mas foi escrito por um deputado...logo é política.
Pois...aqui desisti, abanei a cabeça na vertical acordando com o cliente e deixei a minha cabeça a viajar enquanto ele falava. Só voltei a mim quando ele voltou a atrofiar com a arrumação de outro livro. Segundo o cliente o livro Caminho para a Felicidade não é em Auto-Ajuda mas sim em Gestão.
É mesmo isso...voltei a abanar a cabeça e a continuar a minha viagem...

O Livro da "Oprah"


Há uns dias chega-me um cliente ao balcão e pede-me para pesquisar um livro da Oprah, para quem não sabe o que esta Sra. diz é sagrado, é como e viesse na bíblia.
Para a pesquisa ser mais rápida perguntei logo se ela sabe o título do dito livro. É claro que não sabia, se não este post tornava-se inútil. Pesquisei então pelo nome da autora e fiquei admirado de não encontrar nenhum resultado...afinal a Oprah não escreveu um livro, alguém famoso que tenha juízo! Disse ao cliente que assim não podia ajudar mais. O cliente disse que o livro era sobre o estar à vontade para falar em público.
Qual é p problema? O problema é que existem no mínimo 30 livros a ensinar a falar em publico. Desde a auto-ajuda à gestão e recursos humanos.
Ora, não sabe o autor (que pelos vistos não é a Oprah, mas sim algum livro recomendado por ela, e ela recomenda milhões) e não sabe o nome do livro, como querem que saiba que livro procura? Mas o melhor foi quando disse "pois eu não queria esse livro, eu queria era saber o título desse livro porque há um outro livro com esse nome doutra autora e esse é que me interessava!" Brilhante não? Bem, num último esforço disse que poderia ir procurar na loja livros a ver com a temática de falar em publico e mostrar-lhe. Mas rejeitou.
Mas ainda antes de ir embora pergunta por um livro sobre Angola com 6cd's. Eu digo que não sei de nenhum, pergunto pelo nome e autor e claro, mais uma vez o cliente não fazia ideia, mas ainda vou à parte de multimédia e dos álbuns da livraria...nada feito outra vez.

O Contracto

Bem, há dois meses que trabalho na li vraria mas só hoje (10/07/2009) é que assinei o contracto e provavelmente só daqui a outro mês é que vou ter uma cópia dele, porque supostamente o grande chefe vai ter assinar e só depois é que mandam uma cópia para a loja.
Ora eu comei a trabalhar (explorado) em Abril, tive um mês à experiência e agora tenho contracto de 6 meses. Depois destes 6 meses tenho férias (ou uma amostra de...), se não tiver...exijo, é lei.
Engraçado é que além de só hoje ter chegado o meu contracto, estando eu a trabalhar há 2 meses, este mesmo contracto tem a data de Abril, nada ilegal se passou aqui como notam...enfim em empregos precários já não estranho nada!

Bem andava eu numa Feira Equestre e de repente perguntei-me...de onde vem o licor?Nessa mesma feira encontrei a resposta...



O Melhor Colaborador


Ora o que entendem vocês por melhor colaborador do mês? Aposto que é aquele que durante determinado mês desempenhou melhor a sua função. No caso do livreiro... manter a loja arrumada, principalmente sua secção, atender bem os clientes, assiduidade, fazer cartões cliente, etiquetar livros, tratar de tranferências...enfim essas coisas divertidas. "woooow wooow booksellers just wanna have fun ohhh booksellers just wanna have fun!"
Mas para a minha chefe o melhor colaborador é aquele que faz a maior venda e o resto que se lixe. Então ela propôs que quem fizer a maior venda do mês tem direito a mais um sábado de folga, em que a própria chefe nos vem substituir. Parece-me bem não? Embora um dos poucos colegas que curto na loja me tenha avisado..."isso não é bem assim".
E não é mesmo! A começar logo pelo facto de a única pessoa que tem sempre os sábabados de folga, leia-se a chefe, também está a concorrer.
Ora eu, todo empolgado, até começo bem. Num dia uma venda de 130€ melhorada no dia seguinte para 139€...tudo em livros.
Então, certo fim-de-semana depois de certo autor ter dado uma sessão de autógrafos eu estava a explicar o conceito de smartbox a uns clientes que queriam comprar duas. A média de preços destes artigos são 120€.
Assim que a chefe me viu com estes clientes e com as smartboxes na mão disse-me:
- Miguel vai ali desmontar o sistema de som que ficou da sessão de autógrafos.
O Miguel teve de ir e a patroa acabou por fazer uma venda de 269€.
Ora toma e embrulha...um sábado a mais é bom mas é para a chefe...e o resto é conversa.
Fui avisado que ela certificava-se sempre que fazia a maior venda e é verdade.
Ainda assim estou a planear com amigos a compra de uns artigos e depois juntamos as contas para a tentar ultrapassar!
Mas o que fica disto é que a pessoa que está sempre de folga ao fim-de- semana, além de concorrer, faz sempre a maior venda...ser livreiro é chato!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

No Teu Deserto




Bem, como todos sabem o Miguel Sousa Tavares (MST) recuperou o seu portátil e lançou um livro. Recuperou não é bem a palavra, será mais re-comprou-o. Porque em vez de largar um par de estalos ao miúdo que tinha o portátil dele, deu-lhe 500€ em notas como resgate do PC.

Então reza assim o conto de hoje: o livro dele já esta no backoffice da livraria há muito tempo...mas como o lançamento é nacional só o podemos por há venda no dia 7, de maneira que está a ocupar o backoffice todo enquanto não o pedemos pôr à venda. O livro é pequeno e até me decepcionou. Aliás, deve ter mesmo decepcionado o próprio MST porque ele próprio classifica o livro como quase romance. Quase romance? Mas que raio é isto? Quando agora o for para pôr na estante ponho onde? Entre os ensaios e os romances? Enfim...para a próxima ou escreve ou não escreve. Espero não ver o próximo título a dizer...quase livro!
Mas pronto, como qualquer bom lançamento nós, naquela livraria, desocupamos uma das mesas com vários destaques para a encher só de livros do MST. A mesa fica logo na entrada da loja para que a pessoa não tenha de procurar ou perguntar aos livreiros pelo livro. (já para não falar que também tem direito a duas parteleiras de facing).

Para que a pessoa não tenha de perguntar disse eu??? Quem me dera. Então não é que depois do trabalho que deu em desocupar a mesa e arrumar na loja os outros livros que estavam nela e meter lá o No Teu Deserto com pirâmides, livros em pé, a fazer o pino, enfim só faltavam uns neons a apontar. Não é que ainda assim apanhei 3 pessoas a perguntar "onde está o novo do MST?". Oiçam, quando um livreiro ouve isto ele por dentro explode e só tem vontade de pegar no agrafador e cravar na teste do cliente. Há uma mesa há entrada, abarrotada com o mesmo livro! Mais, há um k-line nessa mesma mesa a anunciar o livro. E essa mesa, além de estar à entrada, logo o cliente já passou por ela, esta à frente do balcão onde as pessoas me perguntam por ele.
Sr cliente abra a pestana...

Já agora fica aqui uma história mais pequena.
A minha livraria tem um espaço infantil. Então um miúdo chega ao pé de uma colega minha, que eu adoro por sinal (not), e pergunta:
- Tem caixote do lixo?
A minha colega habituada que lhe perguntem isso para o cliente dar algum papel ou ate o talão de compra estendeu automaticamente a mão para aceitar.
O miúdo não faz mais nada...pastilha elástica na mão dela e foi-se atirar para cima dos puffs outra vez. Eheh

Apresentação do pseudo-livreiro

Bem aqui estou para ridicularizar situações que se passam nas livrarias, bem por acaso é só numa livraria, não digo qual para manter o suspense. Ok ok...é mesmo para o caso de isto correr bem (que é muito dificil) o chefão não mandar vir comigo.
Pois bem trabalho numa livraria e dia-a-dia vou contando as aventuras de um livreiro...divertido não? Sim eu sei...não!
Qual é a livraria? Nem isso digo...Pode ser Fnac, Bertrand, Bulhosa, Continente, Modelo, Jumbo, Wook...ah, e a Worten que agora também vende livros.
Desta maneira evito que algum colaborador descubra a minha identidade e me parta os dedos enquanto diz "agora quero ver como arrumas os livros...Muuaahhhhahhhh!" Pelo-me de medo destas coisas eu...

Mas bem aqui vai...ahhh...mas não agora...amanhã talvez.