segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Quem Nasceu Primeiro? O Original ou a Tradução?


Hoje aconteceu-me uma daquelas típicas de loiras...tão típicas que nunca vê-mos acontecer mas que nos habituamos a elas de as ouvir em anedotas.
Então uma cliente Loira chega-se ao balcão e enquanto eu faço a conta pergunta-me "Olhe a Isabel Allende vai lançar um novo livro, tem previsões para quando o vai receber?". Eu respondo que isso está dependente do tempo de tradução e da data de lançamento decidida pela editora, mas é então que a loira vem-me com esta: "Ahh...então o livro sai primeiro na língua original e só depois é traduzido?". É isso mesmo....ela disse isto...bem para começar uma cliente que estava na fila olha para mim e começa a rir, já eu, para não me desfazer ali também, finjo que vou apanhar um saco no chão.
Quando venho ao de cima, já refeito da gargalhada digo-lhe no tom mais sério que consegui improvisar na altura "Sim, o livro sai primeiro na língua original e só depois sai a tradução...tal como em todos os livros". Mas a cliente não satisfeita com a sua ignorância, ou querendo mesmo certificar-se da ignorância ainda repica "Então quer dizer que tenho de esperar que o livro saia lá fora na língua original e só depois é que sai a tradução?". Não não minha senhora...aliás o Dan Brown não lança o seu livro Lost Symbol em inglês enquanto ele não estiver traduzido em português, acho que ele nem dorme bem só de pensar que primeiro publica o livro na língua original e depois sim é traduzido na língua de Camões. Até porque maior parte da fortuna que ganhou até hoje foi com o grande mercado livreiro português...que faz parecer o mercado americano uma simples periferia para onde são enviados os livros que nós portugueses não gostamos.
Para finalizar (sim, não bastava isto) estão a ver estes três livros em baixo?

Todos se apercebem, além de serem numerados de 1 a 3, que a capa tem a mesma personagem feminina...e essa personagem tem a tatuagem e corte de cabelo iguais nos três livros certo? lLgo não poderia ser outra pessoa diferente em cada livro. Pronto agora imaginem esta mesma loira acabada de ver os três livros, do qual compra o primeiro, mas que ainda me pergunta "Olhe este livro já não tem continuação pois não?".
Enfim...outra ida ao chão apanhar um pseudo-saco e voltando à tona para ensinar o 2+2 à cliente!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Daniel Sampaio = Romance de Verão?


Uma cliente típica daquelas que só lêem um livro por ano, ou seja, no Verão durante as férias em plena Silly Season, repara que o livro Porque Não, de Daniel Sampaio está no top.
Para ela é o livro perfeito. Está no top, é pequeno, fino, perfeito para ler nas horas de praia. Para uma aprovação a 100%, só falta o carimbo de opinião de livreiro, que me calhou, claro está, a mim.
"Este livro é engraçado?" - pergunta-me ela
"Engraçado em que aspecto? É um Estudo/ensaio bem desenvolvido...não sei se engraçado será o mais correcto para classificar um trabalho" - respondo eu já a tirar a pinta da cliente.
A cliente fica calada porque sinceramente não percebeu patavina do que lhe acabei de dizer, para a próxima, a cliente, antes de perguntar qualquer coisa devia ler a sinopse do livro não?
Mas antes que ela se fustigasse mais continuei "Isso é um livro académico, o Daniel Silva é um psicólogo e neste trabalho defende que por vezes devemos negar coisas aos mais pequenos simplesmente por negar, não tendo de dar mais justificações aos filhos."
Esses livros não foram feitos para ser engraçados, para isso temos o Miguel Sousa Tavares ou o Cláudio Ramos (ahh...os anos que esperei para pôr estes dois no mesmo patamar), agora este livro de Daniel Sampaio é um livro académico.
Claro que a cliente não tocou mais no livro, acabou por levar O Cromossoma do Amor...e que bela escolha.

Profissão do Autor


Uma cliente pergunta-me quais os livros que eu tenho do padre Manuel Antunes. Eu faço uma pesquisa por autor e aparecem-me uma carrada de Maneis Antunes...e pergunto à cliente se ela procura algum livro em específico desse autor.
"Não Não, eu queria mesmo os livros do padre Manuel Antunes...escreva lá Padre aí" - respondeu-me a cliente.
"Se eu pesquisar por padre Manuel Antunes não vai aparecer nada porque o nosso sistema não faz essa discriminação, nem por engenheiros, doutores etc" - Respondo eu, já a sentir que vinha aí pagode.
"Então mas vocês aí no sistema não vos aparece a profissão do autor...pensava que sim" - Devolveu-me a cliente (eu não disse que vinha pagode).
Claro a nossa base de dados além do título, editora, páginas, preço e sinopse vem uma foto do autor, tal como uma biografia e a última profissão conhecida.
Lá tive de explicar que nenhuma base de dados em alguma livraria lhe vai dizer a ocupação do autor.
Enfim lá lhe disse que a obra completa tinha sido editada pela Gulbenkian e que talvez só na livraria deles encontrasse os livros.

Livros Psicográficos


Esta nova postadela é dedicada a uma nova onda de livros que cada vez mais anda a ficar na moda. E cheira-me que não vai ficar por aqui, porque é o tipo de livro que o português gosta.
Ora o caro leitor pelo título já deve ter reparado de que tipo de livros vos estou a falar.
Ora os livros psicográficos são ditados por um espírito enquanto uma médium escreve. Curto e grosso é alguém, geralmente gaja claro, entra num daqueles transes à Pomba Gira, apanha a conexão com um espírito e pimbas, este começa um recital que nunca mais acaba. E pode acabar numa coisa qualquer...a médium pode apanhar um espírito que goste de falar dele (Biografia), pode apanhar o espírito à Nicholas Sparks (romance), à Douglas Preston ou King (Policial)...enfim...dependendo do espírito pode sair uma catrefada de livros diferentes.
Mas isto suscitam-em algumas dúvidas, como por exemplo: Será que o espírito enquanto nos dita repara no que estamos a escrever fazendo reparos à caligrafia ou mesmo a erros ortográficos? Ou se a médium no seu transe apanha um espírito que não fale a sua língua? Ou todos os espíritos são poliglotas?
Bem eu fico-me por aqui porque tenho de entrar em transe para apanhar o espírito do nosso livreiro para ele nos contar das suas...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mais uma Procura de Livro às Cegas

Bem, para começar o Diabo chegou de férias, e como seria de esperar nada satisfeito com as vendas. Para tentar a recuperação a primeira medida implementada foi a de que assim que um cliente entrar além de um Bom Dia devemos perguntar se ele precisa de ajuda, tal como tentar andar sempre perto dele. Sim, não vá acontecer o cliente não chegar à última estante e nós para ajudarmos colocamos-nos de gatas no chão para servir de escadote.
Agora a sério, não acham detestável assim que entramos em qualquer loja vir logo algum dos colaboradores para andar ao nosso lado sempre a perguntar se precisamos de alguma coisa? Ou a dizer isto fica bem isto fica mal...bla bla bla?
A segunda medida foi puxar tudo o que é romance lamechas para a entrada na loja, tentando fazer manchas gigantescas de romances grotescos para chamar a atenção das pessoas. Bem, e chamar a atenção chama...mas ninguém entra naquela livraria com tamanho espalhafato de cores e arrumação de livros sem sentido.
O diabo pode perceber de almas perdidas...mas do negócio nem por isso. Digamos que a gerência do inferno lhe fica bem, não é preciso muito trabalho, apenas basta manter o sítio quente.
É claro que a diabólica estratégia de venda não funcionou e quando me estava a vir embora o número das vendas era o pior de Agosto, e por coincidência (ou não) era o primeiro dia do Diabo depois das férias.
À parte de tudo isto a única coisa digna de registo foi mais uma procura de livro pela descrição física do mesmo. Começo a achar que os brasileiros têm um sério problema com livros. Será que do outro lado do Atlântico não se pesquisa pelo título, autor ou editora? Mas sim pelo peso, espessura e tipo de papel?
Desta vez uma cliente brasileira queria "um livro fino com um olho na capa". "Mas não aquele dali, porque aquele é muito grosso", disse-me ela enquanto apontava para o Nómada.
Nem me dei ao trabalho de puxar pela cabeça para me recordar de um livro com o olho na capa...

sábado, 15 de agosto de 2009

Sr. Engenheiro


Estava eu a fazer um cartão de cliente a uma pessoa e quando chega a altura de preencher se é Sr/Sra ou Dr/Dra, em que escolho a segunda para ser simpático para com o cliente, ele interrompe e pergunta: "Olhe não tem a opção Engenheiro? É porque eu sou Engenheiro?". Aqui tirei logo a fotocópia de que tipo de cliente estamos perante, mas respondo educadamente que só temos aquelas duas opções pré-definidas, ao que o engenheiro responde "Pois...sem comentários! Então espere que eu faço o cartão em nome da minha mulher porque ela é Dra."
Ui...alto lá que nem um cartão de uma simples livraria pode estar sem a sigla de engenheiro. Será que os filhos o tratam por engenheiro papá? Ou só por engenheiro? Estou a imaginar..."Oh Sr. Engenheiro conta-me uma história para adormecer pfv..."
Pois a barraca do Sr. Engenheiro chega quando é altura de perguntar a data de nascimento da mulher...aí é que o engenheiro torceu o rabo. Mas quem melhor para ele culpar se não o pobre livreiro.
Então ele não faz mais nada...como se nada tivesse passado chama a mulher e diz "este senhor tem uma pergunta para te fazer para teres o cartão Bertrand". Eu pergunto a data de nascimento e enquanto a preencho a mulher diz ao engenheiro "então mas não podias ser tu a dar a data, foi preciso chamares-me?"
Resposta do marido "Sim...mas aqui o senhor [Eu livreiro] é que disse para te chamar que precisava do teus dados".
Neste momento lanço o olhar de livreiro furioso ao Engenheiro...mas lanço o olhar de maneira a que a mulher se aperceba, e claro que se apercebeu porque disse logo "Não te lembras é da minha data de nascimento não é?"
Ups...tenho a impressão de que o engenheiro foi caçado. Mais valia ter aceite a sigla de Dr no inicio do formulário do que agora além de ir levar alta descompustura no aconchego do lar, vai ter de arrotar um bom presente quando a sua mulher fizer anos, isto se se lembrar da data claro!

Ciganos = Assalto?


Pois é...a história que vos vou contar hoje não se passou comigo mas sim com a Sagismunda e a Josefina.
Num momento em que só elas estavam na loja entram três ciganos e um deles numa cadeira de rodas. Ora para a Sagismunda e Josefina um cigano na loja é roubalheira na certa, quanto mais três.
Acontece que um dos ciganos assim que entra saiu logo, o segundo cigano dá uma volta pela mesa e também sai logo, quanto ao cigano da cadeira de rodas entra na livraria e passado uns segundos levanta-se da cadeira e sai a dizer "milagre estou curado".
Enfim...durante este episódio bem à Quinta Dimensão, nunca nenhum dos ciganos dirigiu sequer a palavra às minhas colegas.
Quando eu chego à livraria a Sagismunda, mais do que borrada de medo, conta-me a história que acima vos contei, e no fim acrescenta "agora sempre que não estiver ninguém no balcão tiramos as chaves das caixas-registadoras para ninguém roubar, porque eu e a Josefina apanhamos hoje um grande susto."
Isso mesmo...os ciganos que apenas entraram na livraria e nunca dirigiram sequer palavra às minhas colegas, segundo elas os ciganos iam assaltar a loja. Eu depois de lhes ter chamado racistas com todas as letras...disse que elas até deviam era estar contentes porque a livraria tem poderes curativos e fez com que um cigano largasse a sua cadeira de rodas e voltasse a andar.
"Ai mas se tu visses o aspecto deles...eles iam assaltar isto" disse-me a Sagismunda quando lhe chamei racista. Então e tu minha racista das lezírias, estas-me a querer convencer de que os ciganos que nunca te fizeram nada, nem te ameaçaram e nem a 3 metros do balcão estiveram, iam assaltar a livraria?
Pois..o que aconteceu é que tu e teu cérebro alcoviteiro, e agora também racista, pensou logo que se um cigano entra na loja é porque vai haver assalto.
E pronto passaram o dia chateadas comigo porque lhes chamei racistas...e sem razão claro!

Rapidinha:
Lembram-se da livraria embruxada em que a impressora dos talões não parava de vomitar rolo?
Pois bem é um vírus no computador! A minha questão é...como é que uma rede IntraNet apanha vírus só naquele computador. Não tarda diz-me a Josefina que foi algum feitiço lançado pelos ciganos!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Bilhete para a Irlanda


Depois de já haver histórias dos mais variados pedidos de cliente na livraria, recordam-se? O carregamento de telemóvel por exemplo. Pois é...hoje houve um pedido que consegue ainda ser mais estranho que todos os outros. Incrível não?
Hoje pediram-me Super-Cola 3. Pior a mulher interrompe um atendimento a um cliente para me perguntar rudemente se havia Super-Cola 3. Eu rudemente respondo "Super-Cola 3???? Isto é uma livraria", até o cliente que eu estava a atender revirou os olhos com pergunta mais tola.
Mas não..esta não foi a pior...houve ainda um pedido mais estranho.
Tudo começa por volta das 14 da tarde quando um cliente decide entreter-se a ler na livraria (até aqui normal), mas deixa-se dormir, também na livraria (até aqui também tudo normal), passaram umas horas entre gemidos do cliente que estava a sonhar, entre fios de baba a escorrer no queixo e entre um ronco mais acelerado que outro. Certo é que quando acorda esse mesmo cliente, muito seguro de si, vai ao balcão e pergunta "Consegue arranjar-me bilhetes para a Irlanda na segunda-feira?" Eu pensei que até tivesse percebido mal e perguntei se ele estava a falar de alguma promoção, mas não. "Não não...eu quero bilhetes para a Irlanda para segunda-feira!"
E pronto acho que aqui foi uma boa altura para lhe lembrar que ele entrou e acordou numa livraria e que não fez nenhuma viagem extra-corporal até a uma agência de viagens. Quando digo isto ele olha em volta, para se assegurar que estava mesmo numa livraria e despede-se com uma "muito boa tarde"
Pois é, pedirem bilhetes de avião numa livraria já ultrapassa tudo e todos não é? Mas cheira-me que não se fica por aqui, porque eu pensava que pior era mesmo o pedirem para carregar o telemóvel.
Já não me vou admirar se me perguntarem se servimos refeições...essa é que é essa!

Livraria Embruxada


Já considerava "normal" livros a cair das estantes parecendo que alguém ou alguma coisa os fazia cair de propósito só para eu ir arruma-los outra vez. Mas por vezes eram quedas tão estúpidas que mais parecia que a loja estava embruxada...e ontem ainda foi o mais esquisito.
O computador ao lado do meu da-lhe na real gana abrir uma janela MS-DOS sozinho e como não bastasse a impressora dos recibos começa a vomitar papel que nunca mais parava. Isto já é esquisito por si só não é? Mas não fica por aqui. Eu desligo a impressora e quando a volto a ligar, pimbas...mais papel para fora, e por ela ficava ali a tarde toda até gastar o rolo todo.
Claro que reportei o caso às colegas que estavam comigo...Sagismunda incluida.
Decidi desligar a máquina durante um tempo para ver se parava de cuspir papel, entretanto chega a Sagismunda e diz-me "Epah, olha a máquina já parou de deitar papel cá para fora". Eu, enquanto batia com a mão na testa disse-lhe "Sagismunda, primeiro nem era essa impressora que estava a deitar papel, estás no computador errado, e segundo ainda não chegamos ao ponto de isto estar embruxado de tal maneira que a impressora começa a cuspir o rolo mesmo estando desligada!"
Aqui a Sagismunda parece que se apercebeu que não joga com o baralho todo, e nem outra coisa esperava dela.
Ah...as câmaras de vigilância também deram o berro, ainda bem...finalmente estou fora do Big Brother. A Josefina, como boa substituta do Diabo que é, telefona-lhe e diz-lhe que as câmaras foram-se! Resposta do Diabo foi que eles fizeram isso na Sede para que o Grande Chefe pudesse também ver o que acontecia na loja.
Bem, eu aqui nem vou discutir isto em termos legais porque é ridículo. Porque para mim isto foi a desculpa perfeita que o Diabo amassou para ficarmos pressionados a nunca pararmos na livraria porque o Grande chefe pode estar a ver. Ya...Bite Me!!!!

A Montanha Mágica


Depois de ter desfeito o sonho a um agente da PSP dizendo-lhe que os livros Cherub são para miúdos, hoje fiz a mesma coisa, mas a uma senhora.
A senhora, simpática por sinal, perguntou-me se tinha o último livro do Thomas Mann.
Fiquei na dúvida e perguntei-lhe se ela queria o último que o autor escreveu ou o último que tinha voltado a ser reeditado. Ainda fiquei mais espantado quando ela me responde que queria aquele que ele tinha escrito há pouco tempo.
Pronto, percebi aqui que tinha de deitar por água abaixo mais um sonho de fã. Como dizer a uma senhora obcecada pelos livros de Thomas Mann que este senhor morreu a meio do século XX?
Tudo o que me dignei a dizer foi que o autor já tinha falecido há muito tempo, mas que tinha sido reeditado um livro dele há pouco tempo, A Montanha Mágica. Para variar, a senhora não acreditou em mim (lá se foi a simpatia) e quase a chamar-me de ignorante diz-me que ele ainda está bem vivo da silva e que A Montanha Mágica é sim o seu mais recente trabalho.
Não respondo nada, apenas pego no dito livro e indico-lhe a contra capa. Na contra capa a cliente além de ler que A Montanha Mágica remonta a 1924 lê também que Mann foi Prémio Nobel em 1929, e portanto, dificilmente estaria vivo...mas para ter certeza estava no fim escrita a data de óbito.
A cliente não volta a olhar para mim, simplesmente pousa o livro e vai-se embora. Foi chorar? Foi beliscar-se para ver se não era um sonho? Foi ver se há mais do que um Thomas Mann? Não sei...sei que ela voltou meia hora depois para comprar o livro.

sábado, 8 de agosto de 2009

O Cliente Brasileiro


Depois do caso Nafka hoje passou-se algo semelhante.
Um cliente brasileiro aproxima-se do balcão e pergunta "Aew Moço tem o livro Camaleão?"
Pesquisei da base de dados e claro apareceu-me uma catrefada de títulos com a palavra Camaleão. Parvo, aqui o livreiro começou a ler um por um dos títulos ao brasuca para ver se era algum daqueles livros que ia dizendo.
Isto até que, iluminado por uma ideia, decido perguntar se o título do livro era mesmo só Camaleão ou se tinha mais alguma palavra. Resposta do brasuca "Né não...é só Camaleão mêmo poh". Continuei o meu recital de livros um a um, até ser novamente iluminado e perguntei se o livro era para o cliente. Ele diz que não que era para a mulher e foi busca-la. Chega a mulher e só diz isto "Caraca porqui tá você pesquisando por Camaleão? Naum é Camaleão naum...é Caibalion!"
Respondi que tinha sido o outro brasuca, e portanto o marido, a dizer que era Camaleão e a resposta do marido brasuca foi "Poh com esse seu sotaque do Nordestxe entendi Camaleão".
E pronto, para ter certeza perguntei se queria mesmo um livro sobre Filosofia Hermenêutica e tive reposta positiva. Mas tive logo de dar uma negativa porque não tinha o livro e ele já tinha deixado de ser publicado.
Os brasucas, casados, foram embora resmungando com o sotaque de cada um.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Descobrimento da Sexualidade

Bem para começar, este post marca a estreia de outra colega minha na livraria...ela já lá está ao tempo, mas hoje merece destaque. Por isso, à imagem das outras, vou-lhe apelidar carinhosamente de Clementina.
Uma cliente tem o azar de ir pedir ajuda em livros à Clementina e logo num assunto delicado.
- Olhe eu tenho um filho de 11 anos que está agora a descobrir a Sexualidade, sei que há pelo menos dois livros que explicam isto aos jovens. - disse a cliente em pedido de ajuda à Clementina.
A Clementina de tantas e variadas respostas que podia dar sai-se apenas com um "Ui" alto e ruidoso envergonhando a cliente, enquanto se dirige à parte juvenil para procurar um livro sobre o assunto.
É assim Colombo não descobriu o Brasil sem Livros? Vasco da Gama não descobriu o caminho marítimo para a Índia sem Livros? Então porque não pode um rapaz de 11 anos também ele descobrir a Sexualidade sem livros?
Oiçam...os livros que explicam a sexualidade aos mais novos, e já são muitos os livros que existem, são muito perigosos. Isto porque todos eles abordam já o outro lado da sexualidade...Diga-se a homossexualidade.
Ora uma miúdo de 11 anos a ler aquilo pode pensar que tem de experimentar dos dois para se decidir.
Deixem o rapaz ir por esses mares nunca antes navegados da sexualidade e tudo o que vier é peixe!

Rapidinha:
Mais um método novo de pesquisa: Livro fininho, tipo romance histórico que fazia parte de uma colecção.
Pois claro...esta-se mesmo a ver que dei com isso não está?

Cliente 10%


Um cliente chega ao balcão com o livro da colecção Reis de Portugal D. Maria II e tenta-me logo chular pedindo um desconto de 10%.
Eu digo que não posso fazer isso porque o Diabo não deixa. Mas o cliente insiste e armado em V.I.P lá vai dizendo que em todas as livrarias onde vai lhe fazem desconto de 10% porque faz muitas compras e aproveita e ainda diz que no próprio site da Temas e Debates o livro está a 19€, tal como noutras livrarias on-line está também a 19€.
Bom isto agora há muita coisa para desmontar no que o cliente disse.
1º - Se lhe fazem desconto de 10% em todas as livrarias onde passa porque faz muitas compras porque raio decidiu ir aquela? Para me chatear?
2º - O site da Temas e Debates não existe...existe sim o do Circulo de Leitores cuja Temas e Debates é uma Chancela. E todos sabem, e eu expliquei ao senhor, que para os sócios do circulo os preços dos livros são mais baratos, e é isso que está no site (http://www.circuloleitores.pt/catalogo/1018736/d-maria-ii). Preço de editor é 23,50€ e preço do circulo 19,90€.
3º - Não sei a que livraira on-line o cliente foi, mas todas marcam os 23,50€. Mas mesmo que essas mesmas livrarias o vendessem a 19€ seria para fazer o ajusto nos custos de porte, que rondam os 3€. O cliente pode refilar que os portes são grátis. Pois são, mas para compras superiores, geralmente, a 40€! E nem todos compram livros aos 40€ de cada vez.
Bem acabei por lhe dizer que o Circulo de Leitores faz descontos aos sócios, portanto se ele quer assim tanto livro que se faça sócio, fica é obrigado depois a comprar um livro de 2 em 2 meses.
Resmungou mas arrotou com os 23,50€ e lá foi a choramingar.
E se tem assim tantos descontos em tantas livrarias, que eu dúvido, vá a essas.

Nova Maneira de Pesquisar Livros


Depois de já ter feito pesquisas de livros onde os clientes não sabiam autor, editora ou título...existem ainda maneiras inovadoras de me pedirem esses livros. Recordo que já tive clientes que me leram o que o índice do livro tinha, outro que tinha ouvido falar do livro na rádio e, portanto eu também tinha de saber qual era o livro porque oiço a mesma rádio e tive outro cliente que queria um livro que tinha passado na Oprah.
Bem desta vez foi uma cliente que queria uma livro que tinha estado numa mesa em exposição (mas que já não estava), que tinha um elástico vermelho e cuja capa era também toda vermelha...ah e custava 20€! Titulo, autora, editora...nada disso. Uma descrição física do mesmo, mais o local onde ele estava antes é mais do que suficiente para encontra-lo.
A cliente queria esse livro porque uma amiga aconselhou-a a ler, e esta cliente já tinha visto este livro na nossa loja e decorou onde estava. Então mas se foi a amiga que aconselhou uma das primeiras coisas a fazer não era logo, pelo menos, tirar o título do livro? Pois, parece que não!
E então lá andou aqui o livreiro à deriva no estaminé à procura de um livro vermelho com elástico e que custasse 20€. Bem verdade seja dita é que encontrei o livro, só porque vi que tinha um elástico, porque a cor era Castanha. E Castanho e vermelho não são cores que se confundam facilmente. Mas o melhor foi quando entreguei o livro à cliente e ela vê a cor Castanha, nunca vermelha e diz "Viu, eu tinha razão o livro tinha um elástico." Sim mas a cor Vermelha é que nem por isso!
E pronto acrescento esta maneira de pesquisar livros às outras já reportadas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Plafond? Nem às águas confesso


Pois bem, já que não dispomos de um frigorífico, de microondas e de cadeiras para os livreiros a única coisa que estava lá para nos servirmos dela era mesmo a máquina da água. Digo bem...estava. Quer dizer...ainda está, mas água nem gota.
Nos meus primeiros dias de serviço a água também estava a acabar e o Diabo, no único momento de preocupação para com os outros de que tenho registo, ligou logo à empresa das águas para vir fazer a reposição das águas, e eles no dia seguinte lá estavam.
Então que aconteceu agora para estarmos sem água na máquina há duas semanas e até estamos a pagar do nosso bolso, para uma coisa básica que se chama...Matar a Sede?
Fácil...O Diabo foi comprar separadores às corezinhas, marcadores, papelinhos coloridos e porta papeis, tudo adivinhem...também às cores, e até um banco com rodas para podermos chegar às prateleiras mais altas, mas que nenhum dos livreiros usou até agora. E nestas compras gastou o resto do plafond do cartão da loja e deixou-nos à sede.
Calma lá...pode faltar tudo, mas tem de haver um papel vermelho para "coisas urgentes" e outro papel verde para "lista de espera" porque se não aquela livraria perde a embraiagem!
Ai têm sede? Vai del-cano que é bom e não embebeda!

Papelaria = Livraria?



É assim, já me passaram pela frente vários tipos de clientes...mesmo aqueles que pensam que a livraria é o posto de informação do Centro Comercial.
Vão lá e perguntam até que horas está aberto o Centro Comercial, telefonam (sim telefonam) a perguntar se a loja X ou Y está aberta e a que horas fecha, e o melhor de tudo é ligarem a perguntar que filmes estão em exibição no Cinema do Centro comercial...pois ainda há gente que prefere gastar dinheiro numa chamada a ir à internet/jornal ver os horários dos cinemas.
Mas hoje foi peculiar, e ainda por cima foi a minha primeira cliente do dia. Cliente nada...já vão ver!
Tal como todo Centro Comercial que se preze, todas as lojas estão mais do que sinalizadas para chamar a atenção dos clientes, só faltando mesmo os neon's ao estilo Las Vegas. Mas além das placas dos Centros Comerciais a próprias lojas gabam-se de ter gordos e espampanantes logótipos para facilmente se reconhecer em que estaminé estamos. E mesmo que o cliente não se aperceba de tal chavascal de logótipos, hoje em dia já há lojas em que entramos e não precisamos de ver o logótipo para percebermos em que loja estamos, porque já nos habituaram àquela maneira de estarem organizados. E bem...o estabelecimento onde trabalho não é excepção.
Então se não é excepção porque raio me entra na loja uma senhora e pergunta se ali fazemos carregamentos de telemóvel? Nem quem confunda papelaria com biblioteca, como já aconteceu na loja, pede para ali se carregar o telemóvel. E atenção...Centro Comercial nos dias que correm trás atrelada a si outra palavra, Caixa de Multi-Banco! Onde podemos pagar tudo...mas não todos!
Eu aguento todo o tipo de confusões...mas perguntarem por carregamentos de telemóvel na livraria é a gota de água. Bem só não foi porque esta era, supostamente, a primeira cliente...e ainda estava a apanhar o ritmo, monótono, de livreiro e estava bem-disposto.
Mas depois desta o que se segue? Alguém a pedir-me 2 euro-milhões de máquina e uma raspadinha?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Livros a 0,01€


Um senhor na posse de um cheque-livro no valor de 35,01€ pergunta se pode ir à sua vida escolher os seus livros. Eu, pensando ser o rosto de liderança daquela livraria por o senhor me ter pedido autorização para circular livremente no estaminé...respondi autoritariamente "Sim!".
E passados uns aborrecidos 15 minutos o cliente volta e na mão trás dois livros...um deles etiquetado a 0,01€. Ele perguntou-me se era mesmo aquele preço...eu qual Poncio Pilatos, aqui lavo as minhas mãos, remeti o assunto para o Salazar de serviço, a Josefina.
Ela que lhe caiu tudo ao ver um livro de 22€ etiquetado como 0,01€ tenta passar na caixa o livro para ver se ele assume outro preço...mas está quieto oh bicho. 0,01€ na mesma! Tenta na base de dados da livraria e os 0,01€ lá estavam. Isto porque houve uma promoção, que ainda não era do meu tempo, em que na compra de certo livro aquele era oferta. Passava na caixa a 0,01€ com desconto de 100%! Mas nunca se chegou depois a trocar as etiquetas.
Julgo até que a Josefina despejou algo semelhante a um quase choro quando o cliente afirma "Se fosse a DECO obrigava-a a vender-me por esse preço" e foi neste momento entre o choro da Josefina e a afirmação de cliente que a Josefina liga ao Diabo Mor.
E o que ia o Belzebu fazer? Nada...lá está, não é omnipotente, limitou-se a dar descompostura na Josefina, o que me fez ganhar o dia, e o livro foi vendido a 0,01€.
Que tem isto de especial? Nada...só o pequeno pormenor do Cliente me perguntar se tinha livros de auto-ajuda, mais propriamente sobre auto-estima...e eu próprio ter tirado o livro da estante para o senhor. Epah sei lá...achei que a melhor maneira de subir a auto-estima do cliente era um livro que ele precisasse que ainda por cima fosse praticamente de graça. (Sim já tinha visto aquele livro e nunca disse ao Diabo se o preço era para manter...afinal omnipotente sou eu!)
E senti que mudei o dia ao cliente, ainda foi buscar outro livro, sim porque 0,01€ num cheque livro de 35,01€ não faz nada. Pensando bem até parece que o cêntimo no cheque-livro do senhor foi providencia divina!

Paixão é...


Curto e grosso aqui vai a definição de paixão. Sim o velho ditado que diz Paixão é deixa-la conduzir já não se aplica.
Paixão é entrar naquela livraria completamente fardado...e com fardado digo farda a séria.
Paixão é ir com o equipamento do Benfica completo, meias incluídas, aos livros...
Paixão é além do equipamento, ter também a mala do Benfica...
Paixão é além do equipamento, da mala, o porta chaves ser do Benfica...
Paixão é além do equipamento, mala e porta chaves, os ténis serem do Benfica...
Paixão é além do equipamento, da mala, dos porta chaves e dos ténis, a tatuagem ser do Benfica...
Paixão é além disto tudo o benfiquista perguntar se na livraria fazemos desconto a sócios do Benfica. Confesso que dada a devoção à religião benfiquista que o cliente tem apeteceu-me fazer desconto. Mas como ele apresentou o cartão da livraria não foi preciso...
Ah...e paixão é além de ter o equipamento, mala, porta-chaves e ténis, pagar a conta com o cartão da CGD do Benfica...que foi retirado claro, da carteira do Benfica.
Tudo produtos oficiais...
E assim é um cliente benfiquista à séria como vem nos manuais!

A Professora


Andava eu perdido, mais uma vez, na livraria quando oiço uma voz por detrás "Ah sabe este livro fui eu que escrevi". Sim, há alguém que interrompe todo um processo de concentração de um livreiro para clamar um livro escrito por si.
Neste caso era a Professora Paula Lourenço e o seu livro As amantes dos Reis de Portugal. Ela não me conheceu, mas fui aluno dela nos tempos de faculdade, mas há uma razão bastante plausível para não ter sido reconhecido...a Professora apenas apareceu a 4 aulas na faculdade, sendo que duas delas foram testes...logo duvido que nesse ano tenha decorado o nome/cara de de alguém.
Mas continuando (eu também não lhe fui dizer que ela tinha sido minha professora). A senhora começa logo a contar toda a história em redor do livro. Que implicou muito tempo na Torre do Tombo, que a editora paga muito mal aos autores...bla bla bla. Traduzindo, eu que a conheço. A Professora nem mexeu uma palha para o livro, foi apenas a coordenadora, e duas doutorandas é que fizeram o trabalho todo e a Professora acaba por não receber o dinheiro todo porque as duas doutorandas exigiram mais pilim porque fizeram tudo, ficando a professora com o crédito.
A verdade andará, de certeza, algures naquilo que disse.
Mais...reclama comigo, que nunca puxei conversa sequer, de não ter recebido um exemplar da 4ª ou 5ª edição. e a culpa é minha claro...que deveria ter-me apercebido que a Esfera dos Livros pode estar desatenta, e devia ter avisado para mandarem um exemplar de cada edição à "autora". Mas então o raio do livro não é igual em todas as edições? Aquilo nem deve ter sido revisto quanto mais.
Ai ai...nem de sabática aquilo vai ao sitio.

Diabo Fora...


Patrão fora, dia Santo na loja! Já dizia o ditado. É verdade o Diabo vai atormentar para outros mares durante duas semanas, mas deixa a sua mais que tudo, Salazar Júnior, no Comando, leia-se Josefina. Mas alto lá, Diabo que se preze não vai de férias a confiar no discípulo...aliás não quer chegar de férias e ver que a Josefina lhe usurpou o Trono.
Ora e para a Josefina não andar de nariz empinado a dar ordens o diabo achou maneira de, como Deus, ser omnipresente! Como? Fazendo um documento de 7 páginas onde descreve o dia a dia que cada livreiro vai ter. O Diabo atribuiu tarefas diárias a cada um de nós...e o pormenor dessas tarefas é tal que só falta dizer a que horas é que eu tenho de ir ao WC.
Desta maneira sempre que levo com o raio do documento na venta lembro-me logo do Diabo e que Deus, a existir, está de férias. Porque quem está omnipresente é o Chifrado...e só não está omnipotente porque, pelo menos comigo, não pode fazer tudo. Se eu um dia me der na real gana dizer não!, acompanhado de "olha que eu chamo a minha mãe" nem o tridente do Pés-de-Cabra o safa.
E então boas Férias Diabo...ou melhor vai de retro Belzebu!

Rapidinha:
Cliente: "ahh até já li um enxerto deste livro e gostei"
Eu: "E gostou da parte em que o polícia leva um excerto de porrada?"