segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Quem Nasceu Primeiro? O Original ou a Tradução?


Hoje aconteceu-me uma daquelas típicas de loiras...tão típicas que nunca vê-mos acontecer mas que nos habituamos a elas de as ouvir em anedotas.
Então uma cliente Loira chega-se ao balcão e enquanto eu faço a conta pergunta-me "Olhe a Isabel Allende vai lançar um novo livro, tem previsões para quando o vai receber?". Eu respondo que isso está dependente do tempo de tradução e da data de lançamento decidida pela editora, mas é então que a loira vem-me com esta: "Ahh...então o livro sai primeiro na língua original e só depois é traduzido?". É isso mesmo....ela disse isto...bem para começar uma cliente que estava na fila olha para mim e começa a rir, já eu, para não me desfazer ali também, finjo que vou apanhar um saco no chão.
Quando venho ao de cima, já refeito da gargalhada digo-lhe no tom mais sério que consegui improvisar na altura "Sim, o livro sai primeiro na língua original e só depois sai a tradução...tal como em todos os livros". Mas a cliente não satisfeita com a sua ignorância, ou querendo mesmo certificar-se da ignorância ainda repica "Então quer dizer que tenho de esperar que o livro saia lá fora na língua original e só depois é que sai a tradução?". Não não minha senhora...aliás o Dan Brown não lança o seu livro Lost Symbol em inglês enquanto ele não estiver traduzido em português, acho que ele nem dorme bem só de pensar que primeiro publica o livro na língua original e depois sim é traduzido na língua de Camões. Até porque maior parte da fortuna que ganhou até hoje foi com o grande mercado livreiro português...que faz parecer o mercado americano uma simples periferia para onde são enviados os livros que nós portugueses não gostamos.
Para finalizar (sim, não bastava isto) estão a ver estes três livros em baixo?

Todos se apercebem, além de serem numerados de 1 a 3, que a capa tem a mesma personagem feminina...e essa personagem tem a tatuagem e corte de cabelo iguais nos três livros certo? lLgo não poderia ser outra pessoa diferente em cada livro. Pronto agora imaginem esta mesma loira acabada de ver os três livros, do qual compra o primeiro, mas que ainda me pergunta "Olhe este livro já não tem continuação pois não?".
Enfim...outra ida ao chão apanhar um pseudo-saco e voltando à tona para ensinar o 2+2 à cliente!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Daniel Sampaio = Romance de Verão?


Uma cliente típica daquelas que só lêem um livro por ano, ou seja, no Verão durante as férias em plena Silly Season, repara que o livro Porque Não, de Daniel Sampaio está no top.
Para ela é o livro perfeito. Está no top, é pequeno, fino, perfeito para ler nas horas de praia. Para uma aprovação a 100%, só falta o carimbo de opinião de livreiro, que me calhou, claro está, a mim.
"Este livro é engraçado?" - pergunta-me ela
"Engraçado em que aspecto? É um Estudo/ensaio bem desenvolvido...não sei se engraçado será o mais correcto para classificar um trabalho" - respondo eu já a tirar a pinta da cliente.
A cliente fica calada porque sinceramente não percebeu patavina do que lhe acabei de dizer, para a próxima, a cliente, antes de perguntar qualquer coisa devia ler a sinopse do livro não?
Mas antes que ela se fustigasse mais continuei "Isso é um livro académico, o Daniel Silva é um psicólogo e neste trabalho defende que por vezes devemos negar coisas aos mais pequenos simplesmente por negar, não tendo de dar mais justificações aos filhos."
Esses livros não foram feitos para ser engraçados, para isso temos o Miguel Sousa Tavares ou o Cláudio Ramos (ahh...os anos que esperei para pôr estes dois no mesmo patamar), agora este livro de Daniel Sampaio é um livro académico.
Claro que a cliente não tocou mais no livro, acabou por levar O Cromossoma do Amor...e que bela escolha.

Profissão do Autor


Uma cliente pergunta-me quais os livros que eu tenho do padre Manuel Antunes. Eu faço uma pesquisa por autor e aparecem-me uma carrada de Maneis Antunes...e pergunto à cliente se ela procura algum livro em específico desse autor.
"Não Não, eu queria mesmo os livros do padre Manuel Antunes...escreva lá Padre aí" - respondeu-me a cliente.
"Se eu pesquisar por padre Manuel Antunes não vai aparecer nada porque o nosso sistema não faz essa discriminação, nem por engenheiros, doutores etc" - Respondo eu, já a sentir que vinha aí pagode.
"Então mas vocês aí no sistema não vos aparece a profissão do autor...pensava que sim" - Devolveu-me a cliente (eu não disse que vinha pagode).
Claro a nossa base de dados além do título, editora, páginas, preço e sinopse vem uma foto do autor, tal como uma biografia e a última profissão conhecida.
Lá tive de explicar que nenhuma base de dados em alguma livraria lhe vai dizer a ocupação do autor.
Enfim lá lhe disse que a obra completa tinha sido editada pela Gulbenkian e que talvez só na livraria deles encontrasse os livros.

Livros Psicográficos


Esta nova postadela é dedicada a uma nova onda de livros que cada vez mais anda a ficar na moda. E cheira-me que não vai ficar por aqui, porque é o tipo de livro que o português gosta.
Ora o caro leitor pelo título já deve ter reparado de que tipo de livros vos estou a falar.
Ora os livros psicográficos são ditados por um espírito enquanto uma médium escreve. Curto e grosso é alguém, geralmente gaja claro, entra num daqueles transes à Pomba Gira, apanha a conexão com um espírito e pimbas, este começa um recital que nunca mais acaba. E pode acabar numa coisa qualquer...a médium pode apanhar um espírito que goste de falar dele (Biografia), pode apanhar o espírito à Nicholas Sparks (romance), à Douglas Preston ou King (Policial)...enfim...dependendo do espírito pode sair uma catrefada de livros diferentes.
Mas isto suscitam-em algumas dúvidas, como por exemplo: Será que o espírito enquanto nos dita repara no que estamos a escrever fazendo reparos à caligrafia ou mesmo a erros ortográficos? Ou se a médium no seu transe apanha um espírito que não fale a sua língua? Ou todos os espíritos são poliglotas?
Bem eu fico-me por aqui porque tenho de entrar em transe para apanhar o espírito do nosso livreiro para ele nos contar das suas...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mais uma Procura de Livro às Cegas

Bem, para começar o Diabo chegou de férias, e como seria de esperar nada satisfeito com as vendas. Para tentar a recuperação a primeira medida implementada foi a de que assim que um cliente entrar além de um Bom Dia devemos perguntar se ele precisa de ajuda, tal como tentar andar sempre perto dele. Sim, não vá acontecer o cliente não chegar à última estante e nós para ajudarmos colocamos-nos de gatas no chão para servir de escadote.
Agora a sério, não acham detestável assim que entramos em qualquer loja vir logo algum dos colaboradores para andar ao nosso lado sempre a perguntar se precisamos de alguma coisa? Ou a dizer isto fica bem isto fica mal...bla bla bla?
A segunda medida foi puxar tudo o que é romance lamechas para a entrada na loja, tentando fazer manchas gigantescas de romances grotescos para chamar a atenção das pessoas. Bem, e chamar a atenção chama...mas ninguém entra naquela livraria com tamanho espalhafato de cores e arrumação de livros sem sentido.
O diabo pode perceber de almas perdidas...mas do negócio nem por isso. Digamos que a gerência do inferno lhe fica bem, não é preciso muito trabalho, apenas basta manter o sítio quente.
É claro que a diabólica estratégia de venda não funcionou e quando me estava a vir embora o número das vendas era o pior de Agosto, e por coincidência (ou não) era o primeiro dia do Diabo depois das férias.
À parte de tudo isto a única coisa digna de registo foi mais uma procura de livro pela descrição física do mesmo. Começo a achar que os brasileiros têm um sério problema com livros. Será que do outro lado do Atlântico não se pesquisa pelo título, autor ou editora? Mas sim pelo peso, espessura e tipo de papel?
Desta vez uma cliente brasileira queria "um livro fino com um olho na capa". "Mas não aquele dali, porque aquele é muito grosso", disse-me ela enquanto apontava para o Nómada.
Nem me dei ao trabalho de puxar pela cabeça para me recordar de um livro com o olho na capa...

sábado, 15 de agosto de 2009

Sr. Engenheiro


Estava eu a fazer um cartão de cliente a uma pessoa e quando chega a altura de preencher se é Sr/Sra ou Dr/Dra, em que escolho a segunda para ser simpático para com o cliente, ele interrompe e pergunta: "Olhe não tem a opção Engenheiro? É porque eu sou Engenheiro?". Aqui tirei logo a fotocópia de que tipo de cliente estamos perante, mas respondo educadamente que só temos aquelas duas opções pré-definidas, ao que o engenheiro responde "Pois...sem comentários! Então espere que eu faço o cartão em nome da minha mulher porque ela é Dra."
Ui...alto lá que nem um cartão de uma simples livraria pode estar sem a sigla de engenheiro. Será que os filhos o tratam por engenheiro papá? Ou só por engenheiro? Estou a imaginar..."Oh Sr. Engenheiro conta-me uma história para adormecer pfv..."
Pois a barraca do Sr. Engenheiro chega quando é altura de perguntar a data de nascimento da mulher...aí é que o engenheiro torceu o rabo. Mas quem melhor para ele culpar se não o pobre livreiro.
Então ele não faz mais nada...como se nada tivesse passado chama a mulher e diz "este senhor tem uma pergunta para te fazer para teres o cartão Bertrand". Eu pergunto a data de nascimento e enquanto a preencho a mulher diz ao engenheiro "então mas não podias ser tu a dar a data, foi preciso chamares-me?"
Resposta do marido "Sim...mas aqui o senhor [Eu livreiro] é que disse para te chamar que precisava do teus dados".
Neste momento lanço o olhar de livreiro furioso ao Engenheiro...mas lanço o olhar de maneira a que a mulher se aperceba, e claro que se apercebeu porque disse logo "Não te lembras é da minha data de nascimento não é?"
Ups...tenho a impressão de que o engenheiro foi caçado. Mais valia ter aceite a sigla de Dr no inicio do formulário do que agora além de ir levar alta descompustura no aconchego do lar, vai ter de arrotar um bom presente quando a sua mulher fizer anos, isto se se lembrar da data claro!

Ciganos = Assalto?


Pois é...a história que vos vou contar hoje não se passou comigo mas sim com a Sagismunda e a Josefina.
Num momento em que só elas estavam na loja entram três ciganos e um deles numa cadeira de rodas. Ora para a Sagismunda e Josefina um cigano na loja é roubalheira na certa, quanto mais três.
Acontece que um dos ciganos assim que entra saiu logo, o segundo cigano dá uma volta pela mesa e também sai logo, quanto ao cigano da cadeira de rodas entra na livraria e passado uns segundos levanta-se da cadeira e sai a dizer "milagre estou curado".
Enfim...durante este episódio bem à Quinta Dimensão, nunca nenhum dos ciganos dirigiu sequer a palavra às minhas colegas.
Quando eu chego à livraria a Sagismunda, mais do que borrada de medo, conta-me a história que acima vos contei, e no fim acrescenta "agora sempre que não estiver ninguém no balcão tiramos as chaves das caixas-registadoras para ninguém roubar, porque eu e a Josefina apanhamos hoje um grande susto."
Isso mesmo...os ciganos que apenas entraram na livraria e nunca dirigiram sequer palavra às minhas colegas, segundo elas os ciganos iam assaltar a loja. Eu depois de lhes ter chamado racistas com todas as letras...disse que elas até deviam era estar contentes porque a livraria tem poderes curativos e fez com que um cigano largasse a sua cadeira de rodas e voltasse a andar.
"Ai mas se tu visses o aspecto deles...eles iam assaltar isto" disse-me a Sagismunda quando lhe chamei racista. Então e tu minha racista das lezírias, estas-me a querer convencer de que os ciganos que nunca te fizeram nada, nem te ameaçaram e nem a 3 metros do balcão estiveram, iam assaltar a livraria?
Pois..o que aconteceu é que tu e teu cérebro alcoviteiro, e agora também racista, pensou logo que se um cigano entra na loja é porque vai haver assalto.
E pronto passaram o dia chateadas comigo porque lhes chamei racistas...e sem razão claro!

Rapidinha:
Lembram-se da livraria embruxada em que a impressora dos talões não parava de vomitar rolo?
Pois bem é um vírus no computador! A minha questão é...como é que uma rede IntraNet apanha vírus só naquele computador. Não tarda diz-me a Josefina que foi algum feitiço lançado pelos ciganos!