terça-feira, 28 de julho de 2009

O Livro Juvenil


Faltavam 10 minutos para ir embora! 10 minutos que foram os mais longos desde que estou na livraria.
Isto porque aparece um homem, homem não, um Golias nos seus quase 2 metros, e dando-me uma lista pergunta se tenho algum.
Os títulos estavam em inglês, e só os conheci pela colecção. A colecção e a do Cherub (http://www.mundocherub.com/) que são livros de um agente especial que salva o mundo vezes sem conta. A particularidade é que é uma escrita acessível e é uma colecção para os mais novos.
Levei então este cliente para a estante onde estavam os livros e avisei-lhe "olhe o titulo original dos livros não vai coincidir com nenhuma tradução para português. Dou-lhe um exemplo, o livro original The Killing foi primorosamente traduzido por A Seita".
O cliente pergunta-me então quantos é que eu tinha na loja e eu respondi que tinha todos os que até agora tinham sido traduzidos e que o último era o número 5, A Seita.
O pior foi quando o cliente pergunta (lembro outra vez...quase dois metros, voz grossa e intimidante): "E há alguma razão para os livros estarem na secção infantil/juvenil? Não tinham espaço na livraria?"
Ah pois...como dizer a um homem destes que a colecção que ele quer ler religiosamente não passa de uma aventura para putos com página até no hi5 (http://mundocherub.hi5.com/).
Pois aqui o livreiro quase quase a verter águas encheu o peito com o que restava de ar e disse: "Pois...este livro está catalogado como juvenil"
Resposta recebida: "Você está a brincar comigo não está? É que não tem piada nenhuma!" - Já disse que ele tinha 2 metros, voz possante e tudo mais? já? ok!
Pela segunda vez encho o peito de ar e que faço? Descarto-me claro! Antes que apanhasse! "Não somos nós aqui que catalogamos os livros...são indicações da editora e por vezes da Sede. Mas Juvenil é uma coisa muito abrangente!"
O cliente com medo do meu peito cheio de ar, ou mais provavelmente, com pena daquele livreiro que já tinha tremido as pernas como varas verdes disse "ok, levo este só para experimentar"
E aqui termina a saga de um livreiro que a 10 minutos de sair ia-lhe caindo o carmo e a trindade em cima.

O Despedimento


Ora hoje não venho aqui pelas melhores razões. Alguém foi despedido, não na livraria onde trabalho, mas noutra da mesma companhia. A situação é triste, mas é a maneira como se despedem pessoa nestas livrarias que é a coisa mais engraçada.
Quem foi despedida foi a chefe de Loja de uma das livrarias por não ter conseguido cumprir os objectivos durante seis meses.
Os objectivos são definidos pela Sede, tendo em conta os resultados anteriores, e dependem sempre de livraria para livraria. Eu pensava que a Sede dava prioridade à promoção e progressão de carreira da prata da casa. Mas não, neste caso específico, e depois vim a saber que em quase todos os casos, eles não escolhem para os altos cargos alguém da empresa, escolhem uma pessoa de fora. Pessoa esta que pode nem saber como funciona uma livraria, ao contrário de um livreiro, que tendo já desempenhado todas as ouras funções estaria em melhor condições de ser promovido a chefe de Loja.
Então querem saber como se é despedido por estas bandas? É bem engraçado!
Sabem como se manda um nosso familiar alcoólico para a reabilitação? Nas livrarias é a mesma coisa.
Com o nosso familiar, a família junta-se toda para confrontar o alcoólico da família para que este vá para uma clínica, do tipo. Marido: "Querida tens andado a beber de mais, quero que a nossa relação volte a ser o que era, tens de fazer isto por ti e por nós"; Depois vem o filho: "Sim mãe, o pai tem razão, tens de voltar a ser tu mesma, e sabes que tenho saudades da mãe que já tive". E pronto depois vêm irmãos, avós, primos...toda essa gente dizer na cara do familiar que ele deve ir para a reabilitação.
Então e como é que se aplica isto nos despedimentos? E ainda mais numa livraria? Nada mais fácil...Juntam-se os chefes de loja da região, vão ter com a chefe de loja que vai ser despedida e um a um dizem-lhe que para bem dela e da livraria ela tem de ser despedida. Já estou a imaginar, "Olha colega há gente que não nasce com jeito para isto, mas não deixas de ser uma boa pessoa" e outro diz "sim claro, aliás o facto de te ires embora daqui vai ser o melhor para ti". E pronto um a um diz de sua justiça.
Já estou a imaginar quando/se eu for despedido. Junta-se a Sagismunda, a Gertrudes e a Josefina e uma a uma dizem que não nasci com o dom de ser livreiro e que o melhor é afastar-me. És o elo mais fraco....adeus!
E pronto assim foi uma chefe de loja despedida, livraria esta onde certo dia o CEO da Companhia mais a Coordenadora das lojas da região entram e deparam-se com os livreiros todos de havaianas e a ouvir Kuduro em alto som!

domingo, 26 de julho de 2009

Kafka à beira Nhafka


O episódio de hoje contado é que era bem aproveitado. Como aqui não posso falar, vou esperar que a escrita consiga exprimir bem o que se passou hoje.
Durante o dia de hoje já estava a ficar preocupado por não ter acontecido nada de especial, e estava mesmo a ver que chegava ao fim do dia sem nada para pôr nesta Livraria Maravilha. Mas como que enviado pelo céu cai-me um em cima que valeu pelo dia enfadonho e chato que tive, embora este episódio, naquele momento, tivesse ainda agravado mais o meu estado de espírito.
Passando ao que interessa. Um cliente nos seus 17/18 anos (auge da puberdade com tudo a que dá de direito, borbulhas inclusive) chega ao balcão e diz: (Isto agora até vai merecer diálogo)
- Queria saber se têm cá livros do Nhakta. (Isto mesmo o som Nha...de Nhanha)
- Desculpe podia repetir? - Disse o vosso livreiro que não tinha percebido bem o cliente.
- Livros do Nhakzta....têm? - Repetiu o cliente. Eu continuei sem perceber nada...aliás esta segunda vez pereceu-me um nome completamente diferente do que aquele que foi dito em primeiro lugar.
- Sabe qual e editora? Ou o tema? Será Fantástico, Juvenil, Polícial? - Disse eu. Era para perguntar o nome do dito autor uma terceira vez, mas com receio de o cliente pensar que eu era burro por não conhecer Nhakzta tive de inventar a ver se chegava ao livro pretendido de outra maneira.
- Não sei qual é a editora do Nhassta. E juvenil ele não é de certeza, quanto ao tema, bem o tema é o castelo. - Respondeu o cliente. Bem aqui já me parecia outro autor diferente dos outros dois que ouvi antes. Cada vez que o cliente me dizia o nome do autor, todas essas vezes me pareciam nomes diferentes. E bem, a parte em que o cliente diz que o tema é o castelo ajudou a desvendar o dilema todo como devem imaginar. Foi só eu ir à secção Medieval e na letra "C" estava lá tudo o que era livro de Castelos....not!
- Então e esse autor escreve sobre quê? Filosofia, ensaios, romances? - Perguntei eu. Nesta altura ando a dar voltas à livraria para parecer ao cliente que estou quase quase a descobrir qual é o autor, tal como estou empenhado na procura dos seus livros. Mas lembrei-me desta:
- Esse nome é o primeiro ou último nome do autor? - Perguntou aqui o livreiro que estava já a esgotar as hipóteses.
- É o último...o primeiro nome é Frank! - Respondeu o cliente já a ficar maçado por eu estar a demorar tanto tempo a corresponder ao seu, mais do que elucidativo, pedido.
- Será Frank Kafka? - Perguntei eu, apercebendo-me que o cliente afinal de tudo estava era a falar fiambre...e aquela palavra em particular sempre que a repetia saía diferente.
- Pois...Frank Nhakfca, foi o que eu disse! - Responde o Cliente. Bem aqui foi a quarta vez em que o autor me pareceu diferente. Afinal era o Frank Kafka...mas que dito pelo cliente não se percebia nada. Ele não tinha um falar esquisito, somente o falar demasiado rápido, mas que dava para perceber tudo sem problemas. Era o raio daquela palavra que era estranha.
E pronto...levei o cliente aos livros do Kafka e ele lá ficou entretido, e possivelmente a pensar que eu não sabia quem era Kafka ou até que eu disse mal a palavra Kafka, que afinal diz-se Nhafka, e a esta hora está o cliente a escrever no blog dele a contar que um pacóvio de um livreiro não sabe dizer Kafka!

sábado, 25 de julho de 2009

O Desconto para Autores


Existem várias razões para fazer um desconto ao cliente.
Pode ser por causa de alguma campanha ou promoção, pode ser porque esse nosso cliente é nosso amigo e então fazêmos o desconto de colaborador, pode acontecer até que o livro esteja danificado e não haja outro exemplar e o cliente, após árdua luta com o Diabo consiga o seu desconto de 5 a 10%. Ou pode ter desconto se tiver o cartão cliente da livraria, ahh...no caso de ser algum cliente/entidade, como escolas Câmara Municipais, Bibliotecas, que compram grandes quantidades, nesses casos também existe desconto.
Agora desconto de autor? É brilhante.
Uma cliente chega ao balcão e pergunta se fazemos descontos para autores. A primeira reacção quando nos dizem isto (e até parece que acontece muitas vezes) é olharem para a cara do cliente e tentarem reconhecer aquela cara de algum lugar, o que não foi o caso. Nunca tinha visto aquela cara...o que não invalida que a cliente não tenha escrito algum livro, afinal não conheço a cara de todos os autores. Alguns há em que preferia nem conhecer de vista...leia-se Cláudio Ramos & Cª.
Perguntei então à cliente/autora que livros ia levar. Resposta: "Vou só levar a Filha do Capitão!"
Quer dizer, pede desconto de autor e só agora vai ler José Rodrigues dos Santos? Ainda por cima o primeiro livro? Enfim também não sou apreciador dos livros do senhor, mas se fosse escritor fazia o esforço para ficar a par das tendências. Embora ainda esteja indeciso em que tendência estará a parte de pôr uma aluna Sueca a convidar o professor português a ir a casa dela comer sopa, e que nesse mesmo encontro a aluna sueca tira o seu seio para fora dizendo que o sonho dela é fazer uma sopa com o seu próprio leite. Sexy não é? O professor fica...deleitado!
É claro que não houve pão para malucos, e muito menos descontos para autores. Está bem que o sector está em crise (mas juro que não sei como com tanto livro a ser vendido naquela livraria...às vezes 4000€ num dia só em livros) mas os autores, na minha opinião, vivem bem. Uns (Miguel Sousa Tavares) até se dão ao luxo de dar, em notas, 500€ a um pirralho para terem o PC de volta em vez de lhe darem um par de galhetas.
Ora eu, que sou livreiro, só posso ter direito ao meu desconto de colaborador da livraria passado um ano de estar ao serviço, fazendo-me andar pedir favores à Sagismunda e outras para fazerem o desconto delas...querem agora dar descontos a autores? Era o que faltava.
Bem, a cliente lá larga um sorriso amarelo por não fazermos descontos a autores...mas é a vida! Deveria ter perguntado que livro tinha escrito?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Livro para Impedir Casamentos



Uma senhora chega-se ao pé de mim e do nada começa a contar uma história...sem mais nem menos, nem "olhe desculpe" ou "pssst" como fazem aos cães. A história reza assim...uma mulher americana casa com um iraniano e vai viver com ele para o Irão. Lá, essa mulher tem uma filha e começa a ser obrigada pelo marido a comportar-se como uma mulher muçulmana. Nada de falar com homens, burca em cima, nada de conduzir...todas essas modernices que as mulheres não fazem no estado islâmico percebem! Depois ela apercebe-se "mauuu...isto não é o que estava a pensar, se calhar vou-me é embora!" e começa a luta para sair do país e levar a filha, coisa que consegue refugiando-se na embaixada depois de recuperar o passaporte que o marido lhe tinha tirado. Claro que este resumo que vos fiz foi feito para se tornar minimamente interessante, mas o essencial mantém-se. Toda esta conversa para a cliente no fim me perguntar se tenho algum livro que conte esta história. Ela nem sabia se isto foi livro...apenas tinha visto um filme/documentário.
Claro...para quê um autor, título ou editora quando se sabe a história não é? Óbvio que não me passa no mais esperto dos neurónios qual o livro em causa...nem sei se existe algum.
Para que é que a cliente quer o livro? Fácil!!! Porque uma amiga/familiar vai-se casar com um muçulmano e assim com o livro podia ser que abrisse os olhos! O quê? Dar conselhos ou falar com a amiga cara a cara sobre o assunto? Não...um livro é melhor e mais barato. Um Livro Põe Fim a Relacionamento entre Portuguesa e Muçulmano...se lerem esta manchete no Correio da Manhã ou no 24h é porque a senhora encontrou o tal livro!

Josefina Vai ao Lixo


Pois é, hoje tive o melhor início de trabalho de sempre. A patroa baldou-se porque o marido estava doente e a Josefina teve um péssimo momento que ia ser meu, mas que ela felizmente mo roubou numa tentativa frustrada de se tentar exibir.
Um senhor chega ao balcão com um livro e eu ia a tender, mas fui atropelado pela Josefina que se ofereceu logo para até levar o rabo ao cliente com água das rosas. Mas não era isso que o cliente queria...o cliente queria apenas um livro. Mas além de livro ele queria "um desconto para pessoas com mais de 65 anos". Sim...palavras do cliente. Eu notei que ele estava a reinar, mas o feitio e antipatia da Josefina não descortina essas coisas.
A Josefina disse logo "ah não temos esse desconto e nem estou autorizada a fazer". E pronto lá veio da parte do cliente um daqueles discursos de ex-emigrante onde no estrangeiro fazem desconto para os velhos e essas cenas. Mas aqui é que Portugal é moderno e aberto, só os velhos é que não percebem. Para Portugal (governo) nunca se é velho. Dos 8 aos 80 somos todos jovens no auge da nossa puberdade. Aliás, o aumento da idade da reforma para os 65 é a prova de que Portugal vê esta faixa etária ainda como mais do que capaz. Aos 65 anos o português ainda está, que remédio, no auge das capacidades e tem tanto para dar como para receber...e mais ainda para pagar.
E pronto a Josefina faz a conta sem o desconto desses países do 3º mundo, que discriminam os velhos, e pede os 11€ do preço do livro!
Melhor é quando o cliente diz que o livro não era 11€ porque tinha marcado na etiqueta 10€ e qualquer coisa. Enquanto diz isto o sacaninha pisca-me o olho! Então lá vai a Josefina ao caixote do lixo buscar a etiqueta enquanto resmungava que tinha a certeza que o livro custava 11€. Isso mesmo...a Josefina que não perde uma para descascar em alguém ou achincalhar um colega hoje esteve a esfregar-se no caixote do lixo, que felizmente estava cheio, à procura de uma etiqueta.
E bem, ela encontrou a etiqueta e o cliente tinha razão. A etiqueta marcava 10€ e qualquer coisa. E o qualquer coisa eram 99 cêntimos. Sim a Josefina foi ao lixo por 1 cêntimo e percebi o porquê da piscadela de olho. Abençoada!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sagismunda Volta das Férias



Ora antes de começar a contar as desgraças de hoje quero fazer apenas um desabafo. Há cerca de 3 dias fui falar com a chefe a propósito da Gripe A. Disse-lhe que não sabíamos de onde os clientes vinham e com quem tinham estado, basta um deles estar infectado, espirrar e depois ir agarrar um livro para depois qualquer um de nós que toque nesse livro poder ficar infectado, se levar o livro perto da cara ou mesmo depois as mãos à boca ou nariz. Disse que era melhor tomarmos algumas precauções, sobretudo irmos pelo menos um vez de hora em hora lavar as mãos. A chefe teve resposta rápida "ahh pois não sei, e da Sede não me disseram nada". Como se fosse preciso ter ordens superiores para fazer uma coisa tão simples. O pior é que ela hoje encarrega-me de estar responsável pelas encomendas feitas por clientes através de e-mail. Ora qual não é o meu espanto que quando ando à procura de pedidos de cliente no mail da loja encontro um mail da direcção sobre a Gripe A enviado no dia 28/06. Nesse mail além de dizerem para os responsáveis autorizarem a ausência dos colaboradores para lavarem as mãos, deixam em anexo no mail um panfleto que deve ser imprimido e colocado em local acessível a todos os colaboradores. Este mail ainda estava por abrir...tal a importância que a chefe dá a estes assunto. A ser alguém infectado à de ser aquila a primeira.

Passando agora às aventuras de hoje. Chegou uma colega que tem estado de férias. Esta minha colega, não importa aquilo que vocês digam ela responde sempre primeiro com um "hein?" E um riso que me põe nervoso "aaooohhhohhhahhh". Como se não bastasse sempre que estou a fazer qualquer coisa ao pé dela, ela está sempre a olhar de esguelha à espera que eu deslize para me dar nas orelhas. Por isso vou chama-lá aqui no blog carinhosamente por Sagismunda. A Sagismunda não mata...mas moí.
Para passar o tempo decidi puxar o assunto da Gripe A com a Sagismunda...sim eu sei, big mistake! Segundo a Sagismunda tanto morremos de uma gripe dita normal como de uma Gripe A. Não há diferença entre as duas. Eu a sentir que a seguir vinha a velha teoria da conspiração de que foi um laboratório que soltou o vírus blá blá blá inventei a desculpa de que tinha que ir fazer qualquer coisa. E a Sagismunda é para mim então a segunda que quero ver a ficar infectada.
Passado mais um pouco vejo a minha Sagismunda a pôr etiquetas de desconto em livros ao calhas. Vou ao catálogo confirmar se os livros estão ou não em promoção e digo "acho que estes livros não têm 10% de desconto" ao que Sagismunda responde "epah é preciso ter cuidado com isso porque depois se o cliente comprar temos mesmo de fazer o desconto"
"Yahh génio, foste tu que puseste as etiquetas"...não disse isto...apenas levei a mão à testa.
E pronto acabei o meu dia a desejar a gripe A a duas pessoas! Pelo segundo dia não tenho nenhuma aventura com um cliente digna de registo...pois as minhas colegas tratam sempre de superar!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um Café e Um Depósito


Hoje por incrível que pareça não houve nenhum cliente fora do vulgar, pelo menos que me tenha saído na rifa.
Então como não tenho ninguém em quem descascar nada melhor do que falar das minhas colegas. Colegas estas que prezo tanto, que de maneira a proteger a identidade as vou chamar carinhosamente de Gertrudes e Josefina, tal é o apreso que tenho por elas.
Ora ambas estas minhas colegas são do tipo que adoram malhar nos novatos que chegam às livrarias. A Gertrudes está lá praticamente desde a inauguração e a Josefina é a que esta abaixo do diabo (chefe), o que faz a Gertrudes irritar-se por ver um posto que podia ser seu, tomado por uma pirralha de metro e meio, se tanto, com os seus 22 anos. Mas como a Gertrudes é covarde não tem coragem de discutir e assumir a sua picardia com a Josefina e, por isso mesmo, descarrega em cima dos novatos, que, pensa ela, têm de comer e calar. E quem são os novatos? Nem mais...eu e uma colega minha.
E bem...resta a Josefina, que malha nos novatos simplesmente porque como pensa que ser chefe é estar carrancuda e achincalhar os colegas é isso que faz, quando o diabo em pessoa não está na loja e ela o esta a substituir. Mas ambas são, quer Gertrudes quer Josefina, na presença da chefe qual cordeirinho manso na livraria.
Mas ao fim-de-semana a história muda. Mas vou parar com as mariquices de que elas malham em mim e passar o episódio de hoje.
A Gertrudes avisa que vai num instante beber um café e que já volta. A Josefina diz-me que vai fazer o depósito do dinheiro do dia anterior e que também já volta.
Ora para ambas as pacóvias o instante e o já volto não levam menos do que 60min para laurear a pevide. A Gertrudes volta passado uma hora com um saco da quebramar e a Josefina volta com um saco do continente. O que se passou? A Josefina aproveitou o dinheiro do depósito para as compras e pagou um pólo da quebramar à amiga? Claro que não!!! Ambas foram às suas vidas e deixaram o novato na loja em pleno fim-de-semana, e portanto, sem movimento nenhum, sozinho durante uma hora. Mas é sempre bom saber que o livreiro efectivo naquelas livrarias ganha bem o suficiente para ir comprar a sua roupa na quebramar.
Mas só par que fique assente: quando a chefe está na loja nem a bexiga cheia as tira na livraria, saídas para café ou compras é heresia na presença da chefe.

domingo, 19 de julho de 2009

A Promoção


Na livraria maravilha por incrível que pareça também existem promoções. Esta que vos falar é de uma promoção pague 2 leve 3. Nesta promoção o cliente na compra de dois livros de bolso pode levar um terceiro livro de bolso à sua escolha, de graça.
Ora...um cliente chega ao balcão com um livro de bolso para levar e eu, em dia raro em que mostro a minha veia para o negócio, digo ao cliente: "olhe se comprar mais um livro de bolso pode levar outro da mesma colecção de graça."
O cliente achou uma maravilha e lá vai escolher outro com cara de quem já tem o dia ganho, desejoso de mostrar à mulher o orgulho de ter um homem que sabe aproveitar promoções.
Então numa primeira vez ele traz outro livro de bolso e eu limito-me a dizer, olhe podia já trazer o terceiro livro que quer levar de graça da mesma colecção. E lá parte ele mais uma viagem ao desconhecido.
E volta ele, qual homo labregus, com um livro mais grosso que a bíblia e do tamanho de um álbum de fotografias e com um sorriso farto e parvo ainda diz " é este que levo de oferta"
E bem, digo-vos que hoje não resisti e disse a minha primeira piada a gozar com um cliente na cara dele.
- Bem para um livro de bolso de oferta você tem uns bolsos bem grandes para escolher esse".
Sim ele foi a resmungar buscar um livro de bolso, de bolso mesmo, e eu continuei a pensar que não deveria ter saído de casa.

Livro da Rádio


Uma das aventuras de hoje levam-me mais um vez, e como não poderia deixar de ser, ao ridículo. Desta feita um senhor, pronto, um velho, entra na livraria, dá o seu giro na loja e depois empanca comigo e pergunta:
- Olhe desculpe, estou à procura de um livro que passou na rádio, você deve ter ouvido, aquilo faziam uma pergunta e quem acertava ganhava o livro. Acho que tem a ver com os amantes dos reis e os erros deles na história!
Ora bem...isto trás uma serie de problemáticas sobre as quais poderia ficar aqui eternamente a discutir...mas fique-mo-nos pelas mais estúpidas.
Primeiro - o senhor deve pensar que todo e qualquer livreiro só entra ao serviço precisamente no dia em que ele decide ir dar uma volta à livraria, e que como só entra ao serviço nessa altura é minha obrigação ouvir a rádio no resto dos dias em que não trabalho.
Segundo - Pior. Ainda que essa imagem idílica de livreiro tivesse réstia de verdade, qual a probabilidade de a minha estação de rádio ser precisamente aquela que o cliente ouve, e melhor, estar a ouvi-la no momento do dito concurso? Segundo o cliente a probabilidade é certa de que eu estou sempre a ouvir rádio, e não uma rádio qualquer. Oiço por obrigação a mesma rádio que o cliente. Eu possivelmente ouviria rádio se tivesse tantas folgas e horas de descanso como horas de exploração laboral. Sei lá eu agora que rádio tem um programa que dá como prémios livros...provavelmente toda e qualquer rádio o faz.
Terceiro - como não vivemos no mundo perfeito do nosso cliente, o facto de eu ouvir a mesmo rádio, ou sequer ouvir rádio está fora de questão. Agora o mais engraçado é que o cliente no momento do dito concurso nem se deu ao trabalho de guardar o nome do livro. Quer dizer tem tempo de ouvir os interlocutores a falarem 15 min do livro mas não tem 5 seg para ouvir o nome do livro. Claro...ele não tem, mas eu tenho essa obrigação. Então tenho de saber que livro fala dos desvarios entre reis e mulheres e os erros que estes cometeram. A minha vontade foi dizer: "meu caro, o que você procura não é um livro, é uma enciclopédia. Primeiro porque rei que se preze tem de 7 amantes para cima. Segundo porque rei e erros cometidos são palavras que se confundem constantemente na nossa rica História de Portugal. É óbvio que não sei que livro ele queria.
Enfim lá foi o cliente embora com a lágrima no canto do olho, porque naquele dia meus senhores, tudo o que ele imaginava de livreiros a ouvirem rádio atentos os seus programas foi por água abaixo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O Telefonema II




Ora hoje após umas boas horas de vergastadas, chicotadas e exploração tive o azar de ter de atender o telefone da livraria.
Já tenho uma vasta (e péssima) experiência no atendimento ao telefone, e por isso mesmo devia ser esperto o suficiente para nunca o atender...mas desta vez não podia fingir que estava distraído ou arrumar livros!Isto porque estava com o raio do telefone na mão!
Era uma professora desesperada (estranho...uma professora desesperada nos tempos que correm) que queria um livro que abordasse a temática da avaliação de escolas! Nem mais, como os professores têm toneladas de tempos mortos também avaliam agora as escolas! E não o podem fazer com um simples não satisfaz ou muito bom...nada disso, isso é para o povinho do estudante. A avaliação de escolas é uma coisa tão complexa, mas tão complexa que não existe livro nenhum sobre isso, pelo menos um que valha a pena.
A senhora tinha já passado toda a manhã a pesquisar e deparou-se na internet com um Pdf. Pdf este que a professora pensou ser um excerto de um livro. Então queria que eu através das palavras do índice (que ela mo ditou todo) soubesse qual era o livro. Autor, título e editora para quê quando sabemos o índice não é?
É claro que não fazia a mais pequena ideia de que livro era, disse até que aquilo poderia ser um pdf original, não sendo retirado de qualquer livro. Mas calma que a professora respondeu logo: " como não é um livro se eu acabei de lhe ditar um índice".
Bahhh...como é que eu não percebi que todos os trabalhos que esta professora fez na faculdade, supostamente terá andado numa, foram todos lançados em formato livro porque tinham índice. E quem diz os trabalhos desta professora diz de todo o estudante em Portugal (menos eu...ja vi que fui enganado na faculdade). Alias há mesmo um decreto lei que diz que todo o qualquer documento com índice é livro.
Mas eu, no auge da minha paciência e carinho por esta classe operária que está sempre na luta lá disse à professora que ia fazer umas pesquisas e que já lhe ligava. Mas isso não chegava para a professora: "então eu vou mandar-lhe este índice para o e-mail da livraria para ver se pode fazer alguma coisa com ele, talvez ajude na pesquisa". Claro...ajuda muito.
Bem além de não ter recebido o mail...ao menos o filtro anti-spam funciona naquela livraria...também não encontrei nenhum livro.
Não me fiquei por aqui e fiz eu próprio uma pesquisa no google e lá encontrei uns sites, recomendados pela UE e pelo ministério da educação, por isso só podem ser bons (coof coff), tal como vários tipos de métodos de avaliação de escolas e quais os mais utilizados.
Entretanto fui almoçar para dar ideia à professora de que a minha pesquisa sobre o que ela me pedia estava a ser difícil e trabalhosa. Quando voltei liguei-lhe e disse-lhe que tinha encontrado no Google umas coisas e que também o site do ministério da educação tinha informações. Resposta que tive: "Ahh o ministério tem site?"
Aqui foi a parte em que me caiu tudo..."então não era aqui que você deveria ter procurado por uma resposta em primeiro lugar?" não, não disse nada disto, mesmo à covardolas.
Apenas disse: "já enviei os resultados daminha pesquisa para o seu mail Sra. Professora."
O ensino está mal...mas não por culpa dos estudantes, ou melhor, eles não têm a culpa toda. Embora saiba que quando ouvir outra vez em entrevistas de rua que celebramos no 25 de Abril o dia da independência de cabo-verde ou o nascimento de D. Afonso Henriques mude de opinião.

Rapidinha: rapaz pseudo-inteligente (já vão perceber o pseudo) entra na livraria e diz: "vocês aqui nesta biblioteca têm este livro?"
Resposta que dei: "não!"
Resposta que gostava de ter dado: "olhe esse livro foi requisitado ontem por outra pessoa e só vai ser devolvido na próxima semana...escolha outro!"

terça-feira, 14 de julho de 2009

A Queixa



É verdade, hoje tive a primeira queixa de um cliente...não directamente a mim mas à ave rara da minha colega mais velha.
Reza assim...um senhor quer comprar um livro de nome A Tecnologia e os Alimentos vol 1. Livros como este são muito específicos e fazem-se pagar bem. Neste caso era um livro quase a chegar aos 40€.
Ora quando qualquer um de nós compra um livro caro o mínimo que exigimos é o bom estado dele não? E aqui não era o caso...o livro estava dobrado na ponta da capa. Fui ver se havia outro na loja e como não havia fiquei com os dados do senhor para fazer encomenda ao fornecedor.
Ora o que é que acontece? Quando essa esperta da minha colega me vê pergunta se fiz encomenda...respondo que sim.
Esta minha colega é daquelas que malha em tudo e todos...não vi ela ainda a falar bem de ninguém, e mesmo mal um cliente vire as costas é uma questão de tempo até ela largar alguma boca sobre ele. Eu nem quero pensar no que ela não deve dizer de mim quando não estou lá.
Pois bem, esta minha colega disse para eu cancelar a encomenda porque o tal cliente já encomendou várias vezes o mesmo livro e nunca ficou satisfeito com o estado dele. Pior...ela diz-me isto quando eu estou a atender outro cliente, e por tanto ele também está a ouvi-la falar de um cliente daquela maneira. Mas a cereja no topo do bolo é que o anão, dos seus 18 anos, que eu estou a atender naquele momento era nada mais que o sobrinho do cliente da dita encomenda que ela me mandou cancelar.
Claro que foi uma questão de tempo a até ele (cliente cancelado) voltar à livraria a descascar no pessoal. E esse pessoal fui só eu porque estava ao balcão a atender um cliente, que acabou por levar a piçada também e com a qual não tinha nada que ver.
Para a próxima a minha colega tem de aprender a fechar a matraca e fazer os comentários quando estiver sozinha...mesmo sozinha...apanhei uma descompustura por causa dela, mas pior foi ela saber que o cliente estava a descascar em mim e não ter ido lá assumir a situação. Mas foi com Grande prazer que quando ele perguntou o nome dela eu dei-lhe todo!!!!

O Telefonema



Bem a aventura de hoje não nos leva rigorosamente a lado nenhum...foi tudo pelo telefone.
O meu primeiro telefonema matinal...aquele que vocês atendem com mais carinho, transmitindo praticamente a ideia à pessoa que está do outro lado de fazer parte da nossa vida...foi muito, mas muito esquisito.
Sim, eu sei que maior parte de vós não atende o primeiro telefonema da manhã com alegria, mas a mim pagam praticamente para isso.
Então telefona uma senhora (deixem-me aqui só relembrar que eu trabalho numa livraria) a dizer que na Sociedade Filarmónica da terra vai haver rastreio ao colesterol e trombose/avc! É isso mesmo...mesmo depois de eu atender "fala o Miguel da livraria x em que posso ser útil" a senhora em vez de inventar uma desculpa para desligar, informou-me sobre o rastreio. Eu respondo saibiamente..."ok!".
Mas não fica por aqui...a senhora pergunta-me a idade...respondo 22 depois de levar uns segundos a tentar lembrar-me dela!
Ela decepcionada...(ao menos percebeu que eu com 22 dificilmente precisaria de rastreios daqueles)...pergunta-me se estou alguém mais velho.
É então que eu digo..."sim tenho gente mais velha e mais nova ate...caso não tenha ouvido está a ligar para uma livraria, mas se quiser eu vou a meio da livraria e grito se alguém quer fazer rastreios a doenças sub-40!" (para falar verdade a parte a que vou a meio da livraria não tive coragem de dizer pelo que me fiquei pela parte de recordar à Sra. que estava a ligar para uma livraria.)
Resposta da Sra.: "Com certeza sr Miguel tenha um bom dia."
E pronto...espero que na Sociedade Filarmónica também façam rastreio ao alzeimer porque 5min depois ela volta a ligar...

domingo, 12 de julho de 2009

Os Livros Mal Arrumados


Hoje estava a arrumar a minha secção, direito, economia, história, ciências sociais, esoterismo e auto-ajuda quando um cliente me chama. Pssttt!!! Exactamente...como fazemos aos cães! Eu vou e disponho-me a ajudar, que nem um cão!
Segundo o cliente o livro A Lei Eleitoral não devia estar na secção de Direito mas sim em Política. Eu explico ao cliente, olhe isto não é a definição de lei eleitoral nem um ensaio político, é o decreto lei sobre eleições e coisas do género. Ao que o cliente replica: sim mas foi escrito por um deputado...logo é política.
Pois...aqui desisti, abanei a cabeça na vertical acordando com o cliente e deixei a minha cabeça a viajar enquanto ele falava. Só voltei a mim quando ele voltou a atrofiar com a arrumação de outro livro. Segundo o cliente o livro Caminho para a Felicidade não é em Auto-Ajuda mas sim em Gestão.
É mesmo isso...voltei a abanar a cabeça e a continuar a minha viagem...

O Livro da "Oprah"


Há uns dias chega-me um cliente ao balcão e pede-me para pesquisar um livro da Oprah, para quem não sabe o que esta Sra. diz é sagrado, é como e viesse na bíblia.
Para a pesquisa ser mais rápida perguntei logo se ela sabe o título do dito livro. É claro que não sabia, se não este post tornava-se inútil. Pesquisei então pelo nome da autora e fiquei admirado de não encontrar nenhum resultado...afinal a Oprah não escreveu um livro, alguém famoso que tenha juízo! Disse ao cliente que assim não podia ajudar mais. O cliente disse que o livro era sobre o estar à vontade para falar em público.
Qual é p problema? O problema é que existem no mínimo 30 livros a ensinar a falar em publico. Desde a auto-ajuda à gestão e recursos humanos.
Ora, não sabe o autor (que pelos vistos não é a Oprah, mas sim algum livro recomendado por ela, e ela recomenda milhões) e não sabe o nome do livro, como querem que saiba que livro procura? Mas o melhor foi quando disse "pois eu não queria esse livro, eu queria era saber o título desse livro porque há um outro livro com esse nome doutra autora e esse é que me interessava!" Brilhante não? Bem, num último esforço disse que poderia ir procurar na loja livros a ver com a temática de falar em publico e mostrar-lhe. Mas rejeitou.
Mas ainda antes de ir embora pergunta por um livro sobre Angola com 6cd's. Eu digo que não sei de nenhum, pergunto pelo nome e autor e claro, mais uma vez o cliente não fazia ideia, mas ainda vou à parte de multimédia e dos álbuns da livraria...nada feito outra vez.

O Contracto

Bem, há dois meses que trabalho na li vraria mas só hoje (10/07/2009) é que assinei o contracto e provavelmente só daqui a outro mês é que vou ter uma cópia dele, porque supostamente o grande chefe vai ter assinar e só depois é que mandam uma cópia para a loja.
Ora eu comei a trabalhar (explorado) em Abril, tive um mês à experiência e agora tenho contracto de 6 meses. Depois destes 6 meses tenho férias (ou uma amostra de...), se não tiver...exijo, é lei.
Engraçado é que além de só hoje ter chegado o meu contracto, estando eu a trabalhar há 2 meses, este mesmo contracto tem a data de Abril, nada ilegal se passou aqui como notam...enfim em empregos precários já não estranho nada!

Bem andava eu numa Feira Equestre e de repente perguntei-me...de onde vem o licor?Nessa mesma feira encontrei a resposta...



O Melhor Colaborador


Ora o que entendem vocês por melhor colaborador do mês? Aposto que é aquele que durante determinado mês desempenhou melhor a sua função. No caso do livreiro... manter a loja arrumada, principalmente sua secção, atender bem os clientes, assiduidade, fazer cartões cliente, etiquetar livros, tratar de tranferências...enfim essas coisas divertidas. "woooow wooow booksellers just wanna have fun ohhh booksellers just wanna have fun!"
Mas para a minha chefe o melhor colaborador é aquele que faz a maior venda e o resto que se lixe. Então ela propôs que quem fizer a maior venda do mês tem direito a mais um sábado de folga, em que a própria chefe nos vem substituir. Parece-me bem não? Embora um dos poucos colegas que curto na loja me tenha avisado..."isso não é bem assim".
E não é mesmo! A começar logo pelo facto de a única pessoa que tem sempre os sábabados de folga, leia-se a chefe, também está a concorrer.
Ora eu, todo empolgado, até começo bem. Num dia uma venda de 130€ melhorada no dia seguinte para 139€...tudo em livros.
Então, certo fim-de-semana depois de certo autor ter dado uma sessão de autógrafos eu estava a explicar o conceito de smartbox a uns clientes que queriam comprar duas. A média de preços destes artigos são 120€.
Assim que a chefe me viu com estes clientes e com as smartboxes na mão disse-me:
- Miguel vai ali desmontar o sistema de som que ficou da sessão de autógrafos.
O Miguel teve de ir e a patroa acabou por fazer uma venda de 269€.
Ora toma e embrulha...um sábado a mais é bom mas é para a chefe...e o resto é conversa.
Fui avisado que ela certificava-se sempre que fazia a maior venda e é verdade.
Ainda assim estou a planear com amigos a compra de uns artigos e depois juntamos as contas para a tentar ultrapassar!
Mas o que fica disto é que a pessoa que está sempre de folga ao fim-de- semana, além de concorrer, faz sempre a maior venda...ser livreiro é chato!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

No Teu Deserto




Bem, como todos sabem o Miguel Sousa Tavares (MST) recuperou o seu portátil e lançou um livro. Recuperou não é bem a palavra, será mais re-comprou-o. Porque em vez de largar um par de estalos ao miúdo que tinha o portátil dele, deu-lhe 500€ em notas como resgate do PC.

Então reza assim o conto de hoje: o livro dele já esta no backoffice da livraria há muito tempo...mas como o lançamento é nacional só o podemos por há venda no dia 7, de maneira que está a ocupar o backoffice todo enquanto não o pedemos pôr à venda. O livro é pequeno e até me decepcionou. Aliás, deve ter mesmo decepcionado o próprio MST porque ele próprio classifica o livro como quase romance. Quase romance? Mas que raio é isto? Quando agora o for para pôr na estante ponho onde? Entre os ensaios e os romances? Enfim...para a próxima ou escreve ou não escreve. Espero não ver o próximo título a dizer...quase livro!
Mas pronto, como qualquer bom lançamento nós, naquela livraria, desocupamos uma das mesas com vários destaques para a encher só de livros do MST. A mesa fica logo na entrada da loja para que a pessoa não tenha de procurar ou perguntar aos livreiros pelo livro. (já para não falar que também tem direito a duas parteleiras de facing).

Para que a pessoa não tenha de perguntar disse eu??? Quem me dera. Então não é que depois do trabalho que deu em desocupar a mesa e arrumar na loja os outros livros que estavam nela e meter lá o No Teu Deserto com pirâmides, livros em pé, a fazer o pino, enfim só faltavam uns neons a apontar. Não é que ainda assim apanhei 3 pessoas a perguntar "onde está o novo do MST?". Oiçam, quando um livreiro ouve isto ele por dentro explode e só tem vontade de pegar no agrafador e cravar na teste do cliente. Há uma mesa há entrada, abarrotada com o mesmo livro! Mais, há um k-line nessa mesma mesa a anunciar o livro. E essa mesa, além de estar à entrada, logo o cliente já passou por ela, esta à frente do balcão onde as pessoas me perguntam por ele.
Sr cliente abra a pestana...

Já agora fica aqui uma história mais pequena.
A minha livraria tem um espaço infantil. Então um miúdo chega ao pé de uma colega minha, que eu adoro por sinal (not), e pergunta:
- Tem caixote do lixo?
A minha colega habituada que lhe perguntem isso para o cliente dar algum papel ou ate o talão de compra estendeu automaticamente a mão para aceitar.
O miúdo não faz mais nada...pastilha elástica na mão dela e foi-se atirar para cima dos puffs outra vez. Eheh

Apresentação do pseudo-livreiro

Bem aqui estou para ridicularizar situações que se passam nas livrarias, bem por acaso é só numa livraria, não digo qual para manter o suspense. Ok ok...é mesmo para o caso de isto correr bem (que é muito dificil) o chefão não mandar vir comigo.
Pois bem trabalho numa livraria e dia-a-dia vou contando as aventuras de um livreiro...divertido não? Sim eu sei...não!
Qual é a livraria? Nem isso digo...Pode ser Fnac, Bertrand, Bulhosa, Continente, Modelo, Jumbo, Wook...ah, e a Worten que agora também vende livros.
Desta maneira evito que algum colaborador descubra a minha identidade e me parta os dedos enquanto diz "agora quero ver como arrumas os livros...Muuaahhhhahhhh!" Pelo-me de medo destas coisas eu...

Mas bem aqui vai...ahhh...mas não agora...amanhã talvez.