domingo, 19 de julho de 2009

Livro da Rádio


Uma das aventuras de hoje levam-me mais um vez, e como não poderia deixar de ser, ao ridículo. Desta feita um senhor, pronto, um velho, entra na livraria, dá o seu giro na loja e depois empanca comigo e pergunta:
- Olhe desculpe, estou à procura de um livro que passou na rádio, você deve ter ouvido, aquilo faziam uma pergunta e quem acertava ganhava o livro. Acho que tem a ver com os amantes dos reis e os erros deles na história!
Ora bem...isto trás uma serie de problemáticas sobre as quais poderia ficar aqui eternamente a discutir...mas fique-mo-nos pelas mais estúpidas.
Primeiro - o senhor deve pensar que todo e qualquer livreiro só entra ao serviço precisamente no dia em que ele decide ir dar uma volta à livraria, e que como só entra ao serviço nessa altura é minha obrigação ouvir a rádio no resto dos dias em que não trabalho.
Segundo - Pior. Ainda que essa imagem idílica de livreiro tivesse réstia de verdade, qual a probabilidade de a minha estação de rádio ser precisamente aquela que o cliente ouve, e melhor, estar a ouvi-la no momento do dito concurso? Segundo o cliente a probabilidade é certa de que eu estou sempre a ouvir rádio, e não uma rádio qualquer. Oiço por obrigação a mesma rádio que o cliente. Eu possivelmente ouviria rádio se tivesse tantas folgas e horas de descanso como horas de exploração laboral. Sei lá eu agora que rádio tem um programa que dá como prémios livros...provavelmente toda e qualquer rádio o faz.
Terceiro - como não vivemos no mundo perfeito do nosso cliente, o facto de eu ouvir a mesmo rádio, ou sequer ouvir rádio está fora de questão. Agora o mais engraçado é que o cliente no momento do dito concurso nem se deu ao trabalho de guardar o nome do livro. Quer dizer tem tempo de ouvir os interlocutores a falarem 15 min do livro mas não tem 5 seg para ouvir o nome do livro. Claro...ele não tem, mas eu tenho essa obrigação. Então tenho de saber que livro fala dos desvarios entre reis e mulheres e os erros que estes cometeram. A minha vontade foi dizer: "meu caro, o que você procura não é um livro, é uma enciclopédia. Primeiro porque rei que se preze tem de 7 amantes para cima. Segundo porque rei e erros cometidos são palavras que se confundem constantemente na nossa rica História de Portugal. É óbvio que não sei que livro ele queria.
Enfim lá foi o cliente embora com a lágrima no canto do olho, porque naquele dia meus senhores, tudo o que ele imaginava de livreiros a ouvirem rádio atentos os seus programas foi por água abaixo.

Um comentário:

  1. Pois o cliente ouviu a antena 1 perto do meio dia em que há um programa de português ou seja, a luctora de serviço pergunta por exemplo o querer muito é anseio ou ansejo depois passa uma gravação de uma professora catedrática de português com a explicação se o ouvinte acertou ganha um livro (todos os dias é um diferente) se não chupa no dedo. Aqui o amigo livreiro falhou e falhou redondamente deveria ter perguntado por via das duvidas em que dia tinha ouvido o programa, não teria sido no proprio dia concerteza depois aviava-lhe o calhamaço mais caro que tinha em exposição dizendo-lhe que este ainda era melhor, talvez quem sabe, de um autor como Vitorino Nemésio.....

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