quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Bilhete para a Irlanda


Depois de já haver histórias dos mais variados pedidos de cliente na livraria, recordam-se? O carregamento de telemóvel por exemplo. Pois é...hoje houve um pedido que consegue ainda ser mais estranho que todos os outros. Incrível não?
Hoje pediram-me Super-Cola 3. Pior a mulher interrompe um atendimento a um cliente para me perguntar rudemente se havia Super-Cola 3. Eu rudemente respondo "Super-Cola 3???? Isto é uma livraria", até o cliente que eu estava a atender revirou os olhos com pergunta mais tola.
Mas não..esta não foi a pior...houve ainda um pedido mais estranho.
Tudo começa por volta das 14 da tarde quando um cliente decide entreter-se a ler na livraria (até aqui normal), mas deixa-se dormir, também na livraria (até aqui também tudo normal), passaram umas horas entre gemidos do cliente que estava a sonhar, entre fios de baba a escorrer no queixo e entre um ronco mais acelerado que outro. Certo é que quando acorda esse mesmo cliente, muito seguro de si, vai ao balcão e pergunta "Consegue arranjar-me bilhetes para a Irlanda na segunda-feira?" Eu pensei que até tivesse percebido mal e perguntei se ele estava a falar de alguma promoção, mas não. "Não não...eu quero bilhetes para a Irlanda para segunda-feira!"
E pronto acho que aqui foi uma boa altura para lhe lembrar que ele entrou e acordou numa livraria e que não fez nenhuma viagem extra-corporal até a uma agência de viagens. Quando digo isto ele olha em volta, para se assegurar que estava mesmo numa livraria e despede-se com uma "muito boa tarde"
Pois é, pedirem bilhetes de avião numa livraria já ultrapassa tudo e todos não é? Mas cheira-me que não se fica por aqui, porque eu pensava que pior era mesmo o pedirem para carregar o telemóvel.
Já não me vou admirar se me perguntarem se servimos refeições...essa é que é essa!

Livraria Embruxada


Já considerava "normal" livros a cair das estantes parecendo que alguém ou alguma coisa os fazia cair de propósito só para eu ir arruma-los outra vez. Mas por vezes eram quedas tão estúpidas que mais parecia que a loja estava embruxada...e ontem ainda foi o mais esquisito.
O computador ao lado do meu da-lhe na real gana abrir uma janela MS-DOS sozinho e como não bastasse a impressora dos recibos começa a vomitar papel que nunca mais parava. Isto já é esquisito por si só não é? Mas não fica por aqui. Eu desligo a impressora e quando a volto a ligar, pimbas...mais papel para fora, e por ela ficava ali a tarde toda até gastar o rolo todo.
Claro que reportei o caso às colegas que estavam comigo...Sagismunda incluida.
Decidi desligar a máquina durante um tempo para ver se parava de cuspir papel, entretanto chega a Sagismunda e diz-me "Epah, olha a máquina já parou de deitar papel cá para fora". Eu, enquanto batia com a mão na testa disse-lhe "Sagismunda, primeiro nem era essa impressora que estava a deitar papel, estás no computador errado, e segundo ainda não chegamos ao ponto de isto estar embruxado de tal maneira que a impressora começa a cuspir o rolo mesmo estando desligada!"
Aqui a Sagismunda parece que se apercebeu que não joga com o baralho todo, e nem outra coisa esperava dela.
Ah...as câmaras de vigilância também deram o berro, ainda bem...finalmente estou fora do Big Brother. A Josefina, como boa substituta do Diabo que é, telefona-lhe e diz-lhe que as câmaras foram-se! Resposta do Diabo foi que eles fizeram isso na Sede para que o Grande Chefe pudesse também ver o que acontecia na loja.
Bem, eu aqui nem vou discutir isto em termos legais porque é ridículo. Porque para mim isto foi a desculpa perfeita que o Diabo amassou para ficarmos pressionados a nunca pararmos na livraria porque o Grande chefe pode estar a ver. Ya...Bite Me!!!!

A Montanha Mágica


Depois de ter desfeito o sonho a um agente da PSP dizendo-lhe que os livros Cherub são para miúdos, hoje fiz a mesma coisa, mas a uma senhora.
A senhora, simpática por sinal, perguntou-me se tinha o último livro do Thomas Mann.
Fiquei na dúvida e perguntei-lhe se ela queria o último que o autor escreveu ou o último que tinha voltado a ser reeditado. Ainda fiquei mais espantado quando ela me responde que queria aquele que ele tinha escrito há pouco tempo.
Pronto, percebi aqui que tinha de deitar por água abaixo mais um sonho de fã. Como dizer a uma senhora obcecada pelos livros de Thomas Mann que este senhor morreu a meio do século XX?
Tudo o que me dignei a dizer foi que o autor já tinha falecido há muito tempo, mas que tinha sido reeditado um livro dele há pouco tempo, A Montanha Mágica. Para variar, a senhora não acreditou em mim (lá se foi a simpatia) e quase a chamar-me de ignorante diz-me que ele ainda está bem vivo da silva e que A Montanha Mágica é sim o seu mais recente trabalho.
Não respondo nada, apenas pego no dito livro e indico-lhe a contra capa. Na contra capa a cliente além de ler que A Montanha Mágica remonta a 1924 lê também que Mann foi Prémio Nobel em 1929, e portanto, dificilmente estaria vivo...mas para ter certeza estava no fim escrita a data de óbito.
A cliente não volta a olhar para mim, simplesmente pousa o livro e vai-se embora. Foi chorar? Foi beliscar-se para ver se não era um sonho? Foi ver se há mais do que um Thomas Mann? Não sei...sei que ela voltou meia hora depois para comprar o livro.

sábado, 8 de agosto de 2009

O Cliente Brasileiro


Depois do caso Nafka hoje passou-se algo semelhante.
Um cliente brasileiro aproxima-se do balcão e pergunta "Aew Moço tem o livro Camaleão?"
Pesquisei da base de dados e claro apareceu-me uma catrefada de títulos com a palavra Camaleão. Parvo, aqui o livreiro começou a ler um por um dos títulos ao brasuca para ver se era algum daqueles livros que ia dizendo.
Isto até que, iluminado por uma ideia, decido perguntar se o título do livro era mesmo só Camaleão ou se tinha mais alguma palavra. Resposta do brasuca "Né não...é só Camaleão mêmo poh". Continuei o meu recital de livros um a um, até ser novamente iluminado e perguntei se o livro era para o cliente. Ele diz que não que era para a mulher e foi busca-la. Chega a mulher e só diz isto "Caraca porqui tá você pesquisando por Camaleão? Naum é Camaleão naum...é Caibalion!"
Respondi que tinha sido o outro brasuca, e portanto o marido, a dizer que era Camaleão e a resposta do marido brasuca foi "Poh com esse seu sotaque do Nordestxe entendi Camaleão".
E pronto, para ter certeza perguntei se queria mesmo um livro sobre Filosofia Hermenêutica e tive reposta positiva. Mas tive logo de dar uma negativa porque não tinha o livro e ele já tinha deixado de ser publicado.
Os brasucas, casados, foram embora resmungando com o sotaque de cada um.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Descobrimento da Sexualidade

Bem para começar, este post marca a estreia de outra colega minha na livraria...ela já lá está ao tempo, mas hoje merece destaque. Por isso, à imagem das outras, vou-lhe apelidar carinhosamente de Clementina.
Uma cliente tem o azar de ir pedir ajuda em livros à Clementina e logo num assunto delicado.
- Olhe eu tenho um filho de 11 anos que está agora a descobrir a Sexualidade, sei que há pelo menos dois livros que explicam isto aos jovens. - disse a cliente em pedido de ajuda à Clementina.
A Clementina de tantas e variadas respostas que podia dar sai-se apenas com um "Ui" alto e ruidoso envergonhando a cliente, enquanto se dirige à parte juvenil para procurar um livro sobre o assunto.
É assim Colombo não descobriu o Brasil sem Livros? Vasco da Gama não descobriu o caminho marítimo para a Índia sem Livros? Então porque não pode um rapaz de 11 anos também ele descobrir a Sexualidade sem livros?
Oiçam...os livros que explicam a sexualidade aos mais novos, e já são muitos os livros que existem, são muito perigosos. Isto porque todos eles abordam já o outro lado da sexualidade...Diga-se a homossexualidade.
Ora uma miúdo de 11 anos a ler aquilo pode pensar que tem de experimentar dos dois para se decidir.
Deixem o rapaz ir por esses mares nunca antes navegados da sexualidade e tudo o que vier é peixe!

Rapidinha:
Mais um método novo de pesquisa: Livro fininho, tipo romance histórico que fazia parte de uma colecção.
Pois claro...esta-se mesmo a ver que dei com isso não está?

Cliente 10%


Um cliente chega ao balcão com o livro da colecção Reis de Portugal D. Maria II e tenta-me logo chular pedindo um desconto de 10%.
Eu digo que não posso fazer isso porque o Diabo não deixa. Mas o cliente insiste e armado em V.I.P lá vai dizendo que em todas as livrarias onde vai lhe fazem desconto de 10% porque faz muitas compras e aproveita e ainda diz que no próprio site da Temas e Debates o livro está a 19€, tal como noutras livrarias on-line está também a 19€.
Bom isto agora há muita coisa para desmontar no que o cliente disse.
1º - Se lhe fazem desconto de 10% em todas as livrarias onde passa porque faz muitas compras porque raio decidiu ir aquela? Para me chatear?
2º - O site da Temas e Debates não existe...existe sim o do Circulo de Leitores cuja Temas e Debates é uma Chancela. E todos sabem, e eu expliquei ao senhor, que para os sócios do circulo os preços dos livros são mais baratos, e é isso que está no site (http://www.circuloleitores.pt/catalogo/1018736/d-maria-ii). Preço de editor é 23,50€ e preço do circulo 19,90€.
3º - Não sei a que livraira on-line o cliente foi, mas todas marcam os 23,50€. Mas mesmo que essas mesmas livrarias o vendessem a 19€ seria para fazer o ajusto nos custos de porte, que rondam os 3€. O cliente pode refilar que os portes são grátis. Pois são, mas para compras superiores, geralmente, a 40€! E nem todos compram livros aos 40€ de cada vez.
Bem acabei por lhe dizer que o Circulo de Leitores faz descontos aos sócios, portanto se ele quer assim tanto livro que se faça sócio, fica é obrigado depois a comprar um livro de 2 em 2 meses.
Resmungou mas arrotou com os 23,50€ e lá foi a choramingar.
E se tem assim tantos descontos em tantas livrarias, que eu dúvido, vá a essas.

Nova Maneira de Pesquisar Livros


Depois de já ter feito pesquisas de livros onde os clientes não sabiam autor, editora ou título...existem ainda maneiras inovadoras de me pedirem esses livros. Recordo que já tive clientes que me leram o que o índice do livro tinha, outro que tinha ouvido falar do livro na rádio e, portanto eu também tinha de saber qual era o livro porque oiço a mesma rádio e tive outro cliente que queria um livro que tinha passado na Oprah.
Bem desta vez foi uma cliente que queria uma livro que tinha estado numa mesa em exposição (mas que já não estava), que tinha um elástico vermelho e cuja capa era também toda vermelha...ah e custava 20€! Titulo, autora, editora...nada disso. Uma descrição física do mesmo, mais o local onde ele estava antes é mais do que suficiente para encontra-lo.
A cliente queria esse livro porque uma amiga aconselhou-a a ler, e esta cliente já tinha visto este livro na nossa loja e decorou onde estava. Então mas se foi a amiga que aconselhou uma das primeiras coisas a fazer não era logo, pelo menos, tirar o título do livro? Pois, parece que não!
E então lá andou aqui o livreiro à deriva no estaminé à procura de um livro vermelho com elástico e que custasse 20€. Bem verdade seja dita é que encontrei o livro, só porque vi que tinha um elástico, porque a cor era Castanha. E Castanho e vermelho não são cores que se confundam facilmente. Mas o melhor foi quando entreguei o livro à cliente e ela vê a cor Castanha, nunca vermelha e diz "Viu, eu tinha razão o livro tinha um elástico." Sim mas a cor Vermelha é que nem por isso!
E pronto acrescento esta maneira de pesquisar livros às outras já reportadas.